Nem bem começou oficialmente a campanha para as eleições proporcionais de outubro próximo, pesquisas começam a ser divulgadas na tentativa de apresentar um prognóstico dos resultados das urnas. Vários institutos apresentam amostragens feitas com pouco mais de dois mil eleitores mas, se não se souber ler o que realmente dizem, fica-se com a falsa impressão de que o pleito já está decidido, principalmente quanto às intenções de voto para a presidência da República e para os governos dos Estados. Porém, enquanto não forem iniciados os programas eleitorais gratuitos, dificilmente será possível ler corretamente o que estas pesquisas iniciais estão apontando.
Afinal, deixa-se no ar uma série de questões, ainda mais quando os números mostram-se conflitantes. Analisando-se a última rodada do Ibope (realizada sob encomenda da Rede Globo de Televisão e do jornal O Estado de São Paulo), divulgada anteontem, percebe-se que, ao contrário do que tentam mostrar os comandos das campanhas dos três principais candidatos — Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) —, ainda não existe uma tendência clara de como pensa o eleitorado brasileiro, uma vez que a campanha no rádio e na TV pode mudar preferências e intenções de voto.
Quem vê com isenção os números apresentados, percebe que a quantidade de eleitores que declararam intenção de anular ou votar em branco, além dos indecisos, está muito alta. Qualquer movimento para um dos lados pode mudar significativamente o resultado final. Na amostragem de anteontem, percebe-se que ainda há um número muito elevado de votos em branco, nulos e eleitores indecisos: chega a 25%, enquanto Dilma aparece com 38%, Aécio tem 22% e Eduardo Campos conta com 8%. Dificilmente o primeiro percentual chegará no mesmo patamar em outubro.
Um bom parâmetro são os resultados do primeiro turno das eleições de 2010, quando Dilma Rousseff e José Serra (PSDB) foram para o segundo turno: enquanto a petista teve 46,91% dos votos totais, o tucano foi escolhido por 32,61% dos eleitores. Já os votos brancos ficaram pouco acima de 8%. Por isso, percebe-se que há ainda um potencial superior a 15% de eleitores que podem mudar de ideia até o pleito de outubro. Além disso, com a visibilidade da TV, os eleitores de Marina Silva em 2010 (19,33%) podem alavancar qualquer campanha.
A dissonância dos números fica clara diante da nota média dada pelo eleitor brasileiro à administração de Dilma: o governo federal está com nota 5,4 neste momento. Além disso, apenas 42% dos brasileiros acham que seu poder de compra e o das pessoas ao seu redor havia melhorado nos dois anos anteriores. A situação é parecida em relação às oportunidades de emprego: apenas 36% acreditam que elas avançaram. Tudo isso — e mais os índices negativos da economia, que prenunciam um final de ano extremamente difícil — pode criar um quadro completamente diferente do que as pesquisas apontam agora. Quem se fia nelas para comemorar deveria se recolher porque uma avaliação só será possível apenas quando o pleito estiver mais próximo.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.