‘Quem me conhece sabe que foi uma armação, a verdade será descoberta’


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Miguel Laércio Mathias, o Laercinho, disputa pela primeira vez uma eleição a deputado estadual
Miguel Laércio Mathias, o Laercinho, disputa pela primeira vez uma eleição a deputado estadual
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As notícias da tentativa de comprar o silêncio de um sitiante que, supostamente, teve suas terras invadidas pela Prefeitura durante as obras de alargamento de uma estrada rural no bairro rural do Paiolzinho, em Franca, ainda repercute negativamente para o vereador Miguel Laércio Mathias, o Laercinho. Após ser inquirido pelo dono da área, o parlamentar foi filmado oferecendo uma vaca, dinheiro e mudas de eucaliptos para que o caso fosse esquecido.
 
O vereador, filiado ao PP, é um dos candidatos a deputado estadual por Franca e garante que o episódio foi uma armação política - sem dizer quem seriam os responsáveis - e que só foi feita porque ele tem reais chances de ser eleito no pleito de 5 de outubro.
 
No caso das notícias sobre a obra no Paiolzinho, o vereador se disse tranquilo em relação a qualquer apuração que seja feita (leia na Página 3A) e que confia na verdade que, segundo ele, “virá à tona”. De maneira inusitada, chegou a dizer que até desejaria que a situação fosse mais explorada para que saísse como vítima - situação que, acredita, seria melhor para ele.
 
“Todo mundo que me conhece sabe que foi uma armação, e a verdade será descoberta. Só não sei se isso ocorrerá antes da eleição, mas nem estou preocupado”, disse o vereador. “Não vou ficar correndo atrás, porque eu não preciso.”
 
Arrendatário de uma propriedade rural no Paiolzinho, mesmo bairro em que nasceu em 1956, Laercinho tem sua principal fonte de renda, ainda de acordo com ele, vinda de sua atuação profissional como corretor de imóveis, com registro no Creci, órgão fiscalizador da categoria, como pediu para ser destacado.
 
A candidatura
Sobre sua candidatura, que começou cercada de polêmica, já que teria desistido de apoiar o deputado estadual e candidato à reeleição Gilson de Souza (DEM) para lançar seu próprio nome, Laercinho disse que sua decisão já estava tomada havia mais de um ano, mas que, por questões estratégicas e políticas, resolveu anunciá-la apenas após a convenção do PP, no final de junho.
 
Em sua campanha, cujo comitê político será montado na saída para a cidade de Ibiraci (MG), o candidato informou que pretende dar prioridade às questões relacionadas à agricultura. Para isso, já teria um projeto de financiamento de áreas rurais para fixar o homem no campo.
 
“Tenho percebido que não existe um representante do setor na Assembleia Legislativa. Então, essa será minha bandeira”, disse. “Quero representar uma classe que é excluída do panorama político, no meu entendimento.” 
 
A proposta para o agricultor não será a única de sua candidatura, embora não tenha apresentado nenhuma outra, coisa que fará com o tempo, assegurou Laercinho, que estaria montando seu programa. “Não vou falar agora. Não quero te passar chute.” Sua campanha propriamente começará a partir do dia 5 de agosto, após definir as fontes de recursos de que precisará.
 
Perguntado sobre como ficou sua relação com o candidato Gilson de Souza após a decisão de lançar-se na disputa, o vereador disse que não houve nenhum estremecimento de relações entre os dois. Laercinho negou que tivesse qualquer compromisso com o candidato democrata que o impedisse de sair com sua própria candidatura. 
 
“Primeiro, é preciso ficar claro que não teve nenhuma melindragem. Depois, nunca tive um compromisso com o Gilson de ajudá-lo. Eu sempre simpatizei com ele, como com outros candidatos”, afirmou o vereador. “Eu fiz essa opção porque tudo vence. Eu devia uma obrigação para o Gilson e está equilibrado, porque ele também me devia. Eu nunca tive um compromisso fechado com ele de ter que apoiá-lo a vida inteira.”
 
Para ele, é inútil a discussão sobre se vai tirar votos de alguém. De acordo com o vereador, há muitos votos entre os que estão indecisos, aqueles que são dados para candidatos de fora da cidade e até os que escolhem votar em branco. 
 
Confiante em sua eleição, afirmou que não está colocando seu nome à prova ou para deixá-lo em evidência. Analisa que sua trajetória na Câmara de dois mandados completos e o terceiro, pela metade, o ajudará - “e muito” - como deputado federal. “Penso que é o momento de um candidato com três mandatos, que tem conhecimento da política, que entende e quer trabalhar”, disse ele.
 
O vereador não quis fazer previsões sobre a quantidade de votos que precisa para ser eleito. “Temos que levar em conta que muitos eleitores vão viajar e depois pagam a multa. Não estão errados, porque o que se passa nesse momento na política dá nojo”, ponderou Laercinho.

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