Rabo de cavalo


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Foi aqui mesmo em Franca, quando estava no curso técnico de contabilidade, que tomei conhecimento da expressão ‘está crescendo como rabo de cavalo’. 
 
À primeira vista, não entendi o sentido da frase. Explicada depois por mais experientes, o significado era ‘crescer para baixo’. A ironia não se aplicava à atividade econômica, pois, na época a economia não ocupava, dentre nossas preocupações, o lugar que ocupa hoje, quando queremos saber saber da taxa de inflação, IPCA, IGP-DI, IGP-M, IPC-Fipe, nível de emprego, taxa Selic. Nossas preocupações eram outras.
 
Minha inquietação hoje é com o crescimento do PIB. O Focus, do Banco Central, na última sexta-feira, 18 de julho, informou que nosso nível de atividade econômica deverá experimentar elevação de apenas 0,97%. No inicio do ano as previsões situavam-se em torno de 2 a 3%. Aí, então, me caiu a ficha: em 2014, a economia brasileira vai ‘crescer como rabo de cavalo’, isto é, para baixo. 
 
Não precisamos nos desesperar, no entanto. Com essa perspectiva ‘de baixa’ para o PIB, a inflação, mesmo com o regime de metas, está superando, há tempos, o valor pré-estabelecido. Como sabe nosso leitor, naquele regime monetário o BC se compromete a atuar de forma a garantir que a inflação efetiva esteja em linha com uma meta, anunciada publicamente. Para 2014, a Resolução nº 4.095, de 28/06/2012, fixou em 4,5% a meta de inflação, com um intervalo de tolerância de 2%. Pena que isso não ocorra também com o crescimento econômico. Aqueles números, tanto o relativo ao PIB, como o da inflação, são lamentáveis, mas, infelizmente, são reais. O Banco Central evidenciou que não vamos obter resultado econômico condizente com nossas expectativas. A indústria de transformação vai mal, o nível de emprego idem: faltam medidas de política econômica capazes de reorientar nossa economia: investimentos, inovação, diminuição do custo Brasil com racional reforma tributária.
 
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA-USP

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