Interior: motor da economia do País


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As famílias de classe média das cidades do Interior do País formarão um mercado consumidor de mais de US$ 600 bilhões em 2020, o equivalente a mais da metade do crescimento do consumo no país até o final da década. A projeção é da The Boston Consulting Group (BCG), empresa de consultoria de gestão global e estratégia de negócios presente em 45 países. O estudo, com data de junho de 2014 e divulgado esta semana, intitulado Brazil’s Next Consumer Frontier: Capturing Growth in the Rising Interior, banca que o novo perfil interiorano de consumidores será “motor” importante para o crescimento de setores empresariais como automotivo, vestuário e serviços financeiros, entre outros. 
 
O relatório não detalha os mercados geográficos nesse cenário otimista para o Interior brasileiro, mas atualmente os dados apontam para uma posição privilegiada do Estado de São Paulo, particularmente o Interior Paulista. Reconhecido como maior polo econômico e industrial do Hemisfério Sul, São Paulo responde por mais de 32% da receita nacional do comércio e 43% do total de prestação de serviços, além de responsável por 33% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional, volume maior que o de países como Argentina ou Holanda. Com 42 milhões de habitantes, São Paulo é o Estado mais populoso e rico do Brasil, concentrando o terceiro maior mercado consumidor da América Latina, atrás somente do Brasil como um todo e do México. Nesse contexto, a maior força do mercado consumidor brasileiro atualmente está concentrada no Interior Paulista, segundo atestou recentemente a agência oficial do governo paulista Investe SP.
 
O diagnóstico da BCG é baseado em uma pesquisa com cerca de 3.600 pessoas de famílias de classe média e afluente em capitais, regiões metropolitanas e cidades do Interior de todas as regiões do Brasil. “O mercado no Interior no País oferece algumas das mais ricas oportunidades de crescimento do mundo em bens e serviços de consumo”, comenta o executivo Olavo Cunha, coautor do estudo pela BCG. “No entanto, esse mercado ainda não é amplamente atendido por empresas nacionais e estrangeiras, cuja gestão ainda tende a investir mais em cidades grandes ou mais desenvolvidas”. O tempo para estabelecer uma presença de liderança é agora, enfatiza ele. Uma cópia do estudo completo da BCG pode ser baixada em inglês no site www.bcgperspectives.com, que se apresenta como canal que abrange “questões no topo da agenda dos executivos”.
 
Embora as famílias de classe média do Interior brasileira tenham aproximadamente 20% a mais de renda disponível do que as de grandes cidades do Brasil, elas consomem muito menos em certas categorias, afirma a consultoria, que tenta dessa forma apontar caminhos de expansão para empresas de vários segmentos nos próximos anos. As famílias do Interior gastam 19% a menos quando se trata de serviços de telefonia celular pós-paga e cerca de metade a menos em viagens aéreas, por exemplo. A defasagem se deve, segundo o estudo, a falhas no atendimento a este mercado.
 
O estudo conclui que a falta de acesso aos pontos de venda é uma das razões dos consumidores no Interior gastarem consideravelmente menos em determinados tipos de produtos. “A presença de lojas físicas é especialmente importante no Interior do Brasil, porque os consumidores preferem ir até o local, tocar e sentir os produtos antes de fazer as compras”, destaca Cunha. A pesquisa apontou que diferenças no comportamento do consumidor também dificultam a penetração de algumas empresas nesses mercados. Os consumidores do Interior teriam preferência por passar o tempo de lazer em casa do que viajar para alguma localidade no país ou no exterior. Além disso, as famílias do Interior são mais hesitantes em comprar produtos pela Internet em relação às das metrópoles. “Para se tornar líder no Interior, a maioria das empresas deve aumentar substancialmente sua presença física e online”, diz Masao Ukon, outro coautor do estudo.
 
Wilson Marini
Jornalista - email wmarini@apj.inf.br

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