Sempre é bom recordar. O comunismo tomou o poder na Rússia em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial. Como foi que se deu? Numa primeira fase, houve dualidade de poderes. Na capital russa estava o poder oficial, e no front, poder paralelo que ganhou força. Assim se estabeleceu a dvoevlastié (dualidade de poderes), a respeito da qual Lênin escreveu um estudo pouco divulgado, exceto nas misteriosas células vermelhas. Difundi-lo seria abrir o jogo.
Os dois poderes estavam em luta aberta até que a dualidade deixou de convir ao comunismo. Mudou-se a palavra de ordem para ‘todo poder aos sovietes’; terminando com a dualidade e iniciando a unicidade absoluta da ditadura vermelha no país. Hoje, em países como a Colômbia, a guerrilha ocupa regiões inteiras. Seria uma repetição da tristemente famosa dvoevlastié? No Brasil, um pouco por toda parte, a organização social interna vai sendo minada por incrível expansão da violência urbana. Não raro, bandidos estão melhor armados que as polícias.
Em tais situações, estabelece-se algo ao modo da dvoevlastié, a crônica dualidade de poderes. Há um poder paralelo difuso, que ordinariamente não tem caráter institucional nem se localiza em parte alguma como poder, mas mina a estabilidade do país. Afirma o Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, em matéria na revista Catolicismo de julho de 2014: ‘Fica assim instituído um sistema paralelo de poder, que consagra na prática uma ditadura do Executivo, na pessoa do Secretário-Geral da Presidência da República, atualmente o ex-seminarista Gilberto Carvalho, que, habitualmente. faz a ponte entre o governo e a CNBB’. O que resultará? Como diz o mesmo comunicado, o decreto nº 8.243 vai operar ‘transformação radical nas instituições do Estado de Direito’, e poderá abrir portas à ‘tão almejada fórmula do atropelo e do arbítrio, típica dos regimes bolivarianos’. Deus nos livre, mas a dvoevlastié nacional não está distante
Leo Daniele
Escritor
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