Impunidade x violência


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O último final de semana foi pródigo em exemplos da situação do trânsito hoje, no Brasil. Infelizmente, são fatos tristes que enlutam famílias e não encontram eco na nossa legislação, já que se mata na direção de um veículo automotor e qualquer agravante que surja não é considerada. No final das contas, a maioria destes motoristas assassinos deixa a delegacia de polícia pela porta da frente, após pagar a fiança determinada pelo delegado, antes mesmo que os corpos das vítimas sejam liberados para que seus familiares procedam ao sepultamento.
 
Em Franca, duas mulheres morreram na manhã de domingo vítimas de atropelamento na avenida São Vicente. O motorista de um Volkswagen Gol perdeu o controle do veículo na altura do Clube dos Servidores Municipais, atingindo as vítimas que faziam caminhada por ali. Para piorar a situação, garrafas de bebida foram encontradas no interior do carro. Não fossem testemunhas que passavam pelo local, os três poderiam até ter fugido, pois tentavam trocar o pneu do carro a fim de seguir seu caminho. Quem vai explicar a situação, agora, para as famílias da dona de casa Aparecida das Graças Ribeiro, 62, e da coladeira de peças Roselaine Henrique Rafael? O motorista foi levado ao plantão policial, onde se constatou que o mesmo estava alcoolizado. Como não pagou a fiança de R$ 5 mil estipulada pelo delegado, foi encarcerado. Se tivesse o dinheiro, teria sido liberado.
 
Já no sábado, em Ribeirão Preto, um comerciante de 37 anos que confessou uso de álcool e drogas, causou um acidente e provocou as mortes de Vilma Aparecida da Silva, 49, e de sua neta Doane Aparecida Alves, 8. O carro em que elas estavam, um Corsa, foi atingido pelo Touareg do comerciante que transitava em alta velocidade. Na delegacia, o condutor foi indiciado por embriaguez ao volante e homicídio doloso.
 
Exemplos como estes repetem-se diariamente pelas cidades do País. A questão só poderá ser resolvida se passarmos a contar com uma legislação rígida e dura, onde quem assume a direção de um veículo estando embriagado ou drogado tem que sofrer punição à altura das consequências de seus atos. Qualquer um que esteja ao volante sem condições de dirigir, em razão da ingestão de substâncias entorpecentes ou estupefacientes, corre o risco de matar. Estudos já comprovaram a incapacidade de dirigir do motorista alcoolizado ou embriagado. Considerar homicídios como os registrados em Franca como culposos (aqueles sem intenção de matar e cuja sentença final exigirá apenas o pagamento de penas alternativas) permite a repetição destes fatos.
 
Enquanto a nossa legislação continuar tratando criminosos (usem armas ou carros para tirar a vida) com uma leniência absurda, dificilmente seremos capazes de combater esta violência extrema que mata dezenas de milhares de brasileiros a cada ano, em ruas ou rodovias. A população se revolta e com toda a razão. Afinal, assassinos continuam circulando ao volante, entre os que fazem questão de seguir corretamente todas as leis e regras que regem o bom convívio. Irresponsáveis, ameaçam vidas e, com frequência que se torna perturbadora, traumatizam famílias de repente privadas de seus entes queridos.
 
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