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O delegado da Polícia Civil de Franca e vereador pelo PMDB, Daniel Paulo Radaeli, é o nome do partido, por Franca, para concorrer a uma cadeira de deputado estadual nas eleições de outubro. Para ele, foi natural aceitar o pedido da legenda e se lançar em mais uma candidatura, ainda antes da metade de seu mandado no Legislativo municipal.
O delegado da Polícia Civil de Franca e vereador pelo PMDB, Daniel Paulo Radaeli, é o nome do partido, por Franca, para concorrer a uma cadeira de deputado estadual nas eleições de outubro. Para ele, foi natural aceitar o pedido da legenda e se lançar em mais uma candidatura, ainda antes da metade de seu mandado no Legislativo municipal.
A postura vem, como afirmou, de sua atuação nesse período, quando teria alcançado as metas previstas para quatro anos. Dessas metas, citou o candidato, fazem parte projetos como o da proibição de som alto em carros nas ruas; “Crack é preciso vencer”, que combate a droga; outra lei determinando que irmãos estudem na escola mais perto da família, quando possível; e o sistema de vídeo-geo-monitoramento, que cria um sistema de vigilância da cidade.
Com 24 anos como delegado, Radaeli cresceu em Restinga. Filho de pai coveiro e lixeiro, caçula de três irmãos, lembrou que teria tido poucas chances na vida se não tivesse entrado aos 8 anos na guarda mirim.
Como delegado, passou por Cristais Paulista, pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Dise (de Entorpecentes) e permaneceu por 10 anos na chefia do 4º Distrito Policial de Franca. Atualmente está no setor de inteligência da Seccional.
A citação à guarda mirim de Restinga serviu como base para a conversa quando o assunto foi educação e capacitação dos jovens. Admirador da proposta do candidato do PMDB ao governo do Estado, Paulo Skaf, ele desconversou quando perguntado se o governador Geraldo Alckmin (PSDB) merece a vantagem que mantém atualmente nas pesquisas eleitorais. “Confio em um sistema social diferente, e os eleitores precisam pensar melhor no que querem, se estão contentes com a vida que levam. Gasta-se um quinto com um estudante em relação àquilo que se gasta com um preso. Não precisamos de mais presídios, precisamos de mais escolas. Se houver investimento em educação, vai se gastar muito pouco com presos no futuro”, disse.
Para Radaeli, é difícil fugir da tríade saúde-educação-segurança pública quando se pretende esmiuçar uma campanha de cargo eletivo. Nesta última área, avalia que é preciso rever os métodos de tratamento dos dependentes químicos, especialmente os viciados em crack, droga que 20 anos atrás foi apreendida por ele pela primeira vez em Franca.
Concorda que a dependência é um problema de saúde pública mais que de polícia. Mas que, para ter eficácia, o tratamento deveria ser compulsório, previsto em lei. “Não há saída para o dependente. Por conta própria, ele não vai se curar. Hoje é uma ginástica para conseguir na Justiça sua internação”, disse Radaeli. “Isso precisa mudar, porque o consumo está aumentando assustadoramente. E a família sofrendo junto. Neste ponto, governo e sociedade são igualmente responsáveis.”
Levado a comentar se acha que o Governo do Estado está tratando bem Franca e região no que diz respeito à segurança, Radaeli ponderou que em relação à estrutura para trabalhar não há do que reclamar, o mesmo não acontecendo quando se fala em número de servidores.
Perto de duas décadas atrás, afirmou ele, eram quase 500 policiais civis trabalhando nas 17 cidades que compõem a área de atuação da Seccional de Franca. Hoje, não chegam a 250. “A população dessas cidades mais que dobrou e o quadro de policiais caiu pela metade”, disse o delegado. “Na média, nosso policial está velho, cansado. Temos que capacitá-lo cada vez mais com a ajuda da tecnologia.”
Como exemplo dessa tecnologia citou o projeto que propôs na Câmara criando o sistema de vídeo-geo-monitoramento, em que todo o sistema de segurança trabalharia informatizado e integrado por meio de câmeras de vigilância espalhadas pela cidade.
O projeto, que depende de verbas do Governo Federal para entrar em funcionamento, já sofreu sua primeira baixa mesmo antes de estar pronto. A saída do 190 da Polícia Militar, para Ribeirão Preto, foi um erro, disse Radaeli, que criticou a iniciativa por acreditar que houve prejuízo à população. “Imaginei um sistema interligado com os operadores falando diretamente com os policiais nas ruas. Hoje é impossível isso. Transformar o serviço policial, onde um segundo vale uma vida, em um call center foi um erro”, disse.
Com uma campanha “pobre”, como ele mesmo disse, o trabalho de convencimento do eleitor será no boca a boca, contando com a rede de amigos e colaboradores na região e com a internet, por meio de redes sociais. Sem dinheiro para investir, espera por doações. “Mas se não tiver, vou fazer minha campanha com o que tenho, vou gastar sola de sapato”, disse. “Eu estou colocando o meu know how de 41 anos de serviço público, de luta em defesa da sociedade, nesta campanha, que segue o mesmo padrão da que fiz para vereador. Não adianta você querer sair daquilo que você é. Não tem que mudar para tentar ganhar voto, a simpatia do eleitor.”
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