Não é de hoje que a população brasileira se sente órfã diante da falta de representatividade dos eleitos em todos os níveis. A questão se dá desde o governo federal até a Câmara de Vereadores. Faltam propostas e ações efetivas que propiciem uma melhora na vida dos brasileiros. Os escândalos envolvendo estatais e parlamentares são prova cabal da falta de comprometimento com a vida do cidadão, que espera ver os seus impostos retornarem em serviços públicos de qualidade -- principalmente nas áreas de saúde, educação e infraestrutura.
Postos e hospitais públicos apresentam problemas sérios, deixando pacientes à míngua; escolas sob a responsabilidade dos governos federal, estaduais e municipais apresentam baixo índice de aproveitamento em ranking global; e não existe planejamento que melhore a mobilidade urbana, com ônibus lotados e de qualidade duvidosa — além de caros — circulando pelas ruas. Esta é a nossa realidade, cujas manifestações populares escancararam nas ruas do País um ano atrás.
Uma clara demonstração desta falta de comprometimento vem sendo dada pelos nossos deputados federais (que se repete no Senado Federal e também em períodos de feriados prolongados, como durante o Carnaval, além do chamado “recesso branco” e férias duas vezes ao ano): o saldo do trabalho da Câmara dos Deputados durante a Copa do Mundo, cerca de um mês, revela apenas dois dias de votações e só quatro projetos aprovados, segundo levantamento da secretaria -geral da Mesa Diretora da Casa.
Com o término do mundial de futebol, era esperado o retorno dos parlamentares a Brasília para a retomada dos trabalhos, mas os líderes dos partidos decidiram fechar um acordo para esticar a folga até agosto. Além disso, de 18 a 31 de julho não serão obrigados a registrar presença no plenário da Casa, instituindo o chamado “recesso branco”. Em tempo: o salário, de R$ 26.700,00, além das verbas de gabinete, será pago normalmente.
Oficialmente, o recesso parlamentar só pode ser autorizado depois que os congressistas aprovam a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), proposta que detalha as metas e prioridades do governo federal. Neste ano, assim como aconteceu em 2013, os deputados decidiram ignorar a regra e entrar em férias mesmo sem aprovar o texto. Apenas algumas comissões, como as CPIs, e o Conselho de Ética, que têm prazo para conclusão de processos, deverão ter sessões regulares nos próximos meses.
Com o período eleitoral, quando a maioria dos parlamentares é candidata à reeleição ou então concorre aos governos de seus Estados, dificilmente o Congresso deverá retomar os trabalhos plenos antes de outubro próximo. Depois meses depois, recesso de fim de ano. Ou seja, pouco farão, desmerecendo seus mandatos. Assim, no dia 5 de outubro, precisamos renovar esse atual Congresso, escolhendo legisladores realmente comprometidos com as verdadeiras demandas da população. O país está cansado de observar impotente os desmandos daqueles que deveriam estar ouvindo seus eleitores e trabalhando em seu favor.
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