‘É preciso ter uma visão ampla de sociedade e não apenas de grupo’


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Roberto Carlos Bispo Severo, o Capitão Severo, ex-oficial da PM, disputa vaga na Assembleia
Roberto Carlos Bispo Severo, o Capitão Severo, ex-oficial da PM, disputa vaga na Assembleia
Pouco mais de três anos atrás, quando foi transferido de Franca para São Paulo, o capitão da Polícia Militar Roberto Carlos Bispo Severo ainda não havia se aventurado na política, impedido por força do regulamento interno da PM, que proíbe qualquer filiação partidária de seus integrantes.
 
Tido como conciliador, ponderado e muito próximo da tropa, o que deveria ser visto como virtude em um comandante pode ter sido justamente o que o levou a cumprir os meses que faltavam antes de entrar para a reserva - aposentadoria - longe de Franca. Ao menos essa é a opinião de alguns PMs. Contraditoriamente, capitão Severo deixou Franca, cidade que escolheu para viver com a família 10 anos atrás, para voltar a São Paulo, sua cidade natal.
 
Católico, casado com Suse há 27 anos, pai de quatro filhos e avô duas vezes, Severo, 49, largou o trabalho na empresa Philco, em São Paulo, e a faculdade de engenharia eletrônica, para entrar na PM paulista. Aprovado no concurso em 1984, passou a integrar como soldado, cabo e sargento a Rota, batalhão de choque da capital, onde ficou até 1989. Em 1992, formou-se na Academia do Barro Branco e começou, como tenente, a comandar unidades no ABCD. 
 
Nos anos seguintes, passou por setores administrativos e operacionais da polícia, como o Tribunal de Justiça Militar e o setor de psicologia da PM, quando teve a oportunidade de viajar por todo o Estado. Numa dessas viagens, em 2004, conheceu Franca. Um ano depois se mudou para a cidade. “Se for para dizer do que mais gostamos aqui, posso afirmar que foi das pessoas”, disse Severo.
 
Em Franca, comandou a 1ª e a 5ª Companhias até 2009, quando retornou a São Paulo. Naquele ano, já cansado das constantes viagens e de passar apenas 30 horas por semana com a família, decidiu que iria se aposentar.
 
Após desligar-se da PM, candidatou-se a vereador pelo PSB em 2012, quando obteve 771 votos. Ainda que insuficiente para a sua eleição, disse que a votação foi resultado de seu trabalho junto à periferia de Franca, já que boa parte dos votos recebidos veio da região do Aeroporto, onde mora desde que chegou aqui.
 
Em ritmo de campanha para deputado estadual, Severo disse que a disputa para a Assembleia Legislativa é muito mais complexa e demanda empenho maior atrás do eleitorado, em várias cidades da região. “Mesmo com a base fixada em Franca, temos que buscar votos em várias cidades, aproveitando os amigos que fizemos nos últimos anos”, disse o candidato. “A campanha anterior me motivou e me animou a continuar na política, com o intuito de melhorar a realidade da comunidade. Aí veio o convite do PDT, acho que percebendo que tinha potencial”, acrescentou.
 
Propostas
Com uma proposta política voltada para a área da segurança pública, o ex-oficial da PM disse que dará especial atenção à valorização do policial, mas que não deve excluir de seu trabalho outras categorias do serviço público estadual, como a educação. “É preciso ter uma visão ampla de sociedade e não apenas de grupo”, ponderou.
 
Favorável à PEC 300 (proposta de emenda constitucional), que tramita no Congresso e estabelece os mesmos salários para policiais civis e militares em todos os Estados, ele considera que o policial precisa de tranquilidade para trabalhar.
 
Questionado sobre a atuação das polícias no embate com movimentos de rua, Severo creditou parte do enfrentamento visto Brasil afora à participação de integrantes do crime organizado em passeatas com reivindicações “legítimas”. “Eu entendo que não apenas a PM, mas o próprio governo tinha que se mobilizar para identificar o verdadeiro objetivo desses que buscam apenas a violência”, disse ele.
 
Matriculado no 5º ano de psicologia no Uni-Facef, Severo espera concluir o curso que começou em 1997, por acreditar que conhecendo melhor as pessoas, poderia melhor exercer seu trabalho. “Não gosto de injustiça. E falo isso tanto do funcionário público em relação ao cidadão quanto dentro da própria instituição em que atuei.”
 
Sobre a proposta de unificação das polícias Civil e Militar, acredita que o assunto merece ser muito estudado. Neste momento, assegura ele, seria difícil tomar posição a favor. “Mais que unificadas, o importante é que sejam integradas. O que não pode é a PM atuar ou fazer uma operação sem que a Polícia Civil ou a Guarda Municipal não tenham informação”, avaliou. “Para o cidadão, não importa o uniforme que se está usando, ele quer é segurança.” 
 
Sobre a desmilitarização da polícia, outra pauta que também eventualmente é discutida, Severo posicionou-se contra. “Na área de segurança é necessária a força, que não vai deixar o Estado na mão”, disse. “Acho bom o equilíbrio que a Polícia Civil dá à sociedade, mas todo o sistema de segurança ser desmilitarizado eu não acho bom.”

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