A manhã foi de céu claro no sábado do último dia 28. No jardim da casa de repouso Lar São Vicente de Paulo, vários idosos aproveitaram a brisa e o sol para relaxar. Por volta das 9 horas, a van de Adoniran Tomáz - o Dino, adestrador de cães - estacionou em frente ao prédio e de lá saltou a golden retriever Andora, muito agitada. Era dia de alegrar a manhã dos que vivem no Lar com brincadeiras e atividades proporcionadas pelo Projeto Kaoma, que há cerca de sete anos visita locais de amparo, como o próprio São Vicente e a Apae, em um trabalho voluntário. “Esse projeto surgiu com minha antiga companheira Kaoma (cadela). A minha intenção era ter um cachorro para divulgar meu trabalho como adestrador”, relembrou Dino. “De repente, ela me mostrou que o sucesso não estava em ganhar dinheiro, mas em fazer algo de bom; algo que me desse retorno espiritual.”
Assim que Andora começou a caminhar por entre os idosos, como que convidando à brincadeira, os sorrisos foram se despertando. Até os novatos, que não estavam acostumados a sua presença mensal, venceram a desconfiança e acompanharam a cadelinha de pelos cor de mel. Já em círculo, em uma grande sala, os internos se voluntariaram a jogar o arco para que Andora buscasse. Sem perceber, eles alongaram o corpo com o auxílio de Dino. Levantaram os braços para arremessar o objeto; se abaixaram para apanhá-lo e gargalharam quando a peluda, em meio a escorregões no piso liso, correu para alcançar o arco. “Ai, mas é muito bonitinha”, comentaram.
Em pouco tempo, Andora ganhou a companhia de Shiva e Chari, duas cadelinhas de pequeno porte que também participam do projeto há dois anos junto com a parceira de Dino, Vanessa de Melo, esteticista canina. “É uma alegria que não tem preço. Vemos os ‘vozinhos’ que não se mexem mais se esforçando; os que não conversam mais, de repente estão dando risada...”, disse.
Para Maria Aparecida da Silva, de 72 anos, que vive ali, uma visita por mês tem sido pouco. “Acho eles muito bonitos. Gosto de pegar no colo, ver eles fazerem bagunça... Mas vocês demoram vir.”
Na despedida, o presidente do Lar, João de Resende, fez questão de apoiar a iniciativa. “Esta instituição está aqui para dar um final de vida digno as pessoas. Para elas, este tipo de ação é muito importante.”
Cuidados
Por terem contato direto com idosos, que têm imunidade baixa e inspiram cuidados especiais, os cães voluntários recebem um tratamento diferenciado em dias de visita. Além das vacinas e vermifugação, tomam banho, têm assepsia bucal e tosa de unhas.
Para a psicoterapeuta do Lar São Vicente, Lílian Spirandelli, o resultado do trabalho refle nas partes física e emocional dos idosos. “Após as visitas eles ficam mais alegres, motivados e participativos. Fisicamente, essa terapia estimula os movimentos.” Atualmente, o Lar São Vicente abriga mais de 30 idosos.
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