Demandas urgentes


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A população brasileira, passada a letargia que tomou conta do País em razão da Copa do Mundo de futebol, passa a ter, a partir de agora, uma grande oportunidade de escolher, com calma e sem paixões, os responsáveis pela condução dos destinos do Brasil nos próximos quatro anos. Além de presidente da República, o pleito de outubro vai eleger governadores, senadores e deputados, federais e estaduais. É uma chance ímpar de se elegerem candidatos realmente comprometidos com os anseios e reivindicações da população brasileira. Afinal, os problemas enfrentados em dois setores públicos importantes (educação e saúde) precisam ser debatidos e receber propostas que não sejam um arremedo, produzidas apenas de olho no voto na urna.
 
Já está na hora de nossos governantes e legisladores se debruçarem sobre o assunto, criando alternativas que realmente tragam soluções efetivas. Afinal, prometer “lutar pela saúde e educação” não deve ser levado a sério: a cada campanha eleitoral candidatos se sucedem, na propaganda gratuita do rádio e da TV utilizando o mesmo bordão. Após a posse, tudo continua na mesma. Dizer que recursos ainda não disponíveis serão usados para melhorar o ensino ou a saúde pública brasileira, como o dinheiro do pré-sal, não é garantia de que algo vá mudar. A população brasileira precisa acompanhar e exigir mudanças “para ontem”, ainda mais quando se sabe que grande parte das verbas destinadas aos dois setores escorre pelo ralo da corrupção e do estelionato.
 
Escolas sem acessibilidade, sem rede de esgoto, sem quadra de esportes e biblioteca, sem laboratórios de ciências e informática. Essa é a realidade de mais da metade dos colégios públicos do País, segundo dados do Censo Escolar 2013, realizado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). ‘Levantamento feito pela Fundação Lemann e pela Meritt, responsáveis pelo portal QEdu, mostra que na metade dos colégios públicos, por exemplo, não há acesso à internet. Os dados revelam ainda que só 36% das escolas públicas têm esgoto encanado — mais da metade delas contam apenas com uma fossa. Faltam bibliotecas e quadras de esportes, numa clara demonstração do descaso vivido pelo setor nos últimos anos.
 
Já com relação à saúde pública, a situação também é periclitante. Além da falta de reajuste no valor dos procedimentos pagos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) há mais de uma década, vê-se uma estrutura falida. Só a contratação de profissionais, com o “Mais Médicos”, não será capaz de resolver a deterioração do sistema no correr dos anos. Desde 2002 o número de leitos destinados ao SUS tem sido reduzido em milhares de vagas, além do fechamento de mais de uma centena de hospitais pelo País. Tudo isso se reflete na qualidade do serviço oferecido e, nos dois casos, somente promessas na época da eleição não podem ser levadas a sério. É necessário um projeto capaz de recuperar os setores de educação e de saúde públicas. As demandas aí estão, cabe agora aos candidatos se mostrarem capazes de atacá-las com interesse e bastante coragem.
 
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