Franca fechou centenas de postos de trabalho no mês passado. A cidade demitiu 424 trabalhadores a mais do que contratou em junho, de acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados esta semana pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O saldo dá ao mês o título de pior junho da história da cidade desde que os números começaram a ser publicados em 2003 (veja quadro nesta página). Para piorar, o maior responsável pelos desligamentos foi o principal setor econômico da cidade. A indústria dispensou 414 funcionários a mais do que admitiu.
Os números mostram que, no total, 4.963 empregados foram dispensados enquanto 4.539 novos trabalhadores foram contratados em junho deste ano. No mesmo mês de 2013, o número de demissões ficou próximo do de 2014, com 4.942 trabalhadores dispensados. Mas a somatória dos contratados em junho do ano passado foi de 5.785 trabalhadores, o que representou 843 novos postos no ano passado.
O cenário dos últimos 12 meses também é negativo para o emprego em Franca: 64.693 trabalhadores foram contratados no período, enquanto 65.454 foram demitidos. Os números representam 761 vagas de trabalho fechadas.
Apesar de o saldo do primeiro semestre de 2014 ser positivo, com 6.740 admissões a mais que dispensas de funcionários, o número é bem menor que o saldo do primeiro semestre de 2013, quando ocorreram 10.553 contratações a mais que demissões.
“O país criou um crescimento com base no consumo e isso não se sustenta, pois as famílias se endividam e param de consumir. Sem contar que nossa taxa de juros é alta, o que encarece ainda mais essa dívida. Tem as eleições também. Até elas acontecerem, a economia fica travada, pois não se sabe quem vai ganhar e o que essa pessoa vai fazer”, disse o economista Hélio Braga.
A prova disso é que, apesar do número recorde de demissões na cidade, Franca ainda ocupa o 9º lugar no ranking nacional de municípios que mais contrataram no primeiro semestre de 2014. A cidade perde para as capitais São Paulo, Brasília, Curitiba, Goiânia, Porto Alegre e Rio de Janeiro, além das cidades de Altamira (PA) e Santa Cruz do Sul (RS).
Indústria
Somente no setor industrial, principal ramo econômico de Franca - que tem a produção de calçado como a base de sua economia -, o número de dispensas em junho deste ano foi de 2.462 funcionários contra 2.048 admitidos. O saldo dos últimos 12 meses também é negativo, com 2.032 demissões a mais na indústria que contratações.
Já no primeiro semestre deste ano, o saldo é positivo e fica em 5.481 admissões a mais que demissões. Mas o dado é menor que o saldo do mesmo período de 2013, quando o número de contratados foi 8.388 mais que o de demitidos.
Segundo Hélio Braga, o cenário do ramo calçadista acompanha a atual tendência de queda de outros setores da indústria. “Nossa indústria começou a sentir o que outros já veem sentindo, como é o caso do álcool de Sertãozinho, do setor automotivo que também está ruim, e de tantos outros. Sem contar que não temos outro setor na economia local que sustente o déficit do calçado. A economia de Franca é frágil por conta disso.”
Sindicatos
A sala de espera do Sindicato dos Sapateiros do Município de Franca estava lotada de pessoas que aguardavam para fazer rescisão contratual no início da tarde de ontem. Dos presentes, 30 estavam saindo de uma única empresa. Para o presidente da entidade, Fábio Cândido, falta estímulos do governo para incentivar a indústria calçadista. “Nosso Sindicato vem lotando assim desde o mês passado. É triste. Nunca tinha visto nada assim. Para mim, falta um acordo entre o Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) e o Governo Federal, para melhorar a situação”, disse.
A reportagem do Comércio tentou contato com o Sindifranca, mas ninguém foi encontrado na instituição para comentar o assunto.
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