Malu Fioresi, gerente de negócios da Francal: “Sim, a feira está menor que em anos anteriores. Também, o número de visitantes, mas, quem veio, veio para comprar”. Fala do (bom) resultado da agressiva estratégia de atraimento a lojistas e importadores à qual a promotora se lançou para garantir visitação a evento realizado em ano atípico – data de início dois dias após a final da Copa do Mundo, eleições, crise tomando conta de vários setores da economia nacional. Em 2013, expositores tradicionais sinalizaram que não participariam da feira 2014 por causa dessas circunstâncias. A decisão foi rápida: os gestores da Francal – calçadistas, e preocupados – foram aos principais polos calçadistas nacionais e sinalizaram pacotes de viagens com preços subsidiados e até, vagas em hotéis, outro possível gargalo a impedir decisão de viagens a São Paulo. O esforço concentrado compensou: a visitação - menor que em anos anteriores – a uma feira também menor que em anos anteriores, produziu resultado “novo”, capaz até de nortear as próximas edições do evento. Confira.
Layout: Abdala Jamil Abdala disse que, ano que vem, a Francal terá um layout diferente. “Ocuparemos o espaço de forma a ter uma feira mais compacta, com corredores menores, para valorizar o tempo dos visitantes. Os bons resultados que obtivemos este ano nos incentivam a pensar neste sentido.” O que não se pode perder, ainda segundo o presidente, é “o olho no olho, o calor humano, contra o que nenhuma novidade tecnológica pode confrontar”.
Bastidores: Francisco Santos, presidente da Couromoda, entre surpreso e feliz, a Abdala Jamil Abdala, presidente da Francal, na tarde do terceiro dia do evento: “Os corredores estão repletos e há negócios em andamento!” Abdala sorriu um “não disse que seria assim?”.
Moda Franca: A gerente de comunicação do estante coletivo Moda Franca, Fernanda Bufoni, confirmou a mesma ideia: “Tivemos, em média, 2,2 mil visitantes/dia e bons negócios ocorreram. Soubemos que quem poderia ter vindo e não veio se arrependeu”.
Fischer: Recebi em São Paulo a notícia da morte de Alexandre Pólo Fisher. Ele foi funcionário do GCN e meu amigo. Comungávamos cidadania como princípio inegociável para uma sociedade melhor e mais justa. Eu praticava falando, escrevendo e motivando pessoas à prática. Ele, chargista deste Comércio, “desenhando no computador” – sua habilidade era notável – e, nos balões de fala, a acidez de seus achares. Vivia dizendo que “se não chacoalhar, as pessoas não saem de suas posições de conforto para fazer as reformas necessárias a este país”. Publicitário, jornalista e cartunista, atuou na área de cartonagem e em agências de publicidade antes de integrar a equipe de diagramadores deste Comércio e, após, talentos reconhecidos pela gestão do grupo, assumir a gerência de Marketing e a coordenação da Crazz Propaganda. Fischer – a quem eu chamava de Fisquer, brincado com o “c” de seu nome – era um chato para muitos, mas não para quem o sabia profundamente focado em organização e método. Cobrava-se com intensidade e exigia perfeição de si próprio e de quem o acompanhava. Devo a ele dois ou três muito bons textos que produziu para este espaço a meu pedido, quando estive em viagens. Não queria que seu nome foi grafado como autor. “Pensamos o mesmo sobre cidadania. Deixe como se fosse você.” Não aceitei. Dei-lhe o crédito, indicando-o como interino. Suas ideias eram práticas e objetivas, a exemplo de seus “balões de textos” de charges. Final do ano passado, pediu afastamento do trabalho para se “revigorar, reequilibrar”. Não conseguiu. Mais um vácuo profissional se abre no jornalismo do interior. Pêsames a sua mulher Josiane e filhas Maria Victória e Ana Beatriz. Nem tudo acontece como a gente imagina que deva ser.
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
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