Inocentado de assassinato quer voltar pro Maranhão


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Robério Cruz: ‘Muitas pessoas não confiam mais em mim, eu quero ir embora para minha terra’
Robério Cruz: ‘Muitas pessoas não confiam mais em mim, eu quero ir embora para minha terra’
Mesmo depois de passar seis anos e meio preso injustamente no Maranhão, o pedreiro Robério Ribeiro Cruz, 41, quer voltar para o seu Estado. Há três anos mora em Franca, onde tentou construir uma nova vida, mas as dificuldades que têm vivido o motivam a voltar para o Nordeste. Ele veio para cá em busca de trabalho, quando seu irmão, que já foi embora, morava na cidade. Cruz foi preso em agosto de 1998 em São Luís, acusado do assassinato de Júlio César Pereira, 11 anos, filho de uma ex-namorada. O assassino em série Francisco das Chagas Rodrigues de Brito, preso em 2003, confessou ser o autor do crime. 
 
Cruz ficou conhecido após uma reportagem do Fantástico, da Rede Globo, sobre o verdadeiro criminoso, responsável pelo chamado Caso dos Meninos Emasculados. Na cidade do pedreiro, São José do Ribamar (MA), o assassino é acusado de matar 30 meninos, de um total de 42 crimes. Os assassinatos envolviam grande violência, com o corte de partes do corpo das vítimas, como dedos e genitália. 
 
Como Cruz era amigo da criança, foi acusado e, segundo ele, forçado a confessar o crime sob tortura. O pedreiro passou por momentos difíceis na prisão de Pedrinhas, em São Luís, mas afirma que não saiu revoltado e sempre procurou melhorar sua vida. No presídio, ele ficava em uma ala segura e era ameaçado pelos outros presos. Foi libertado após a confissão do verdadeiro culpado.
 
Ele conta que, depois de seu passado ficar conhecido, sua vida mudou. Antes da reportagem do Fantástico, sua atual mulher e pessoas próximas desconheciam o caso. “Muitas pessoas não confiam mais em mim, eu quero ir embora para minha terra. Depois que fui entrevistado, fiquei conhecido... Muitos acham que não, mas até crianças e adolescentes se afastam de mim.”
 
Cruz, que trabalha como pedreiro autônomo, diz que tem tido poucas oportunidades de trabalho, já que muitos dão desculpas e o dispensam ao saber sobre sua história. “Tenho aluguel para pagar, preciso mandar dinheiro para meus filhos, que ficaram no Maranhão, e aqui o custo de vida é muito caro. Para voltar, eu preciso de uns R$ 1.300 só para pagar a passagem.” Ele perdeu grande parte do crescimento dos filhos, atualmente com 16 e 18 anos, mas acredita que será bem recebido na cidade maranhense. 
 
Além da família, ele sente falta do estilo de vida do Maranhão. “Lá a comida é fresca, aqui é tudo congelado e caro. Sinto falta de comer camarão, sururu, que é marisco que se come com leite de coco... Às vezes, eu faço essas comidas aqui e dou para os vizinhos, que gostam bastante.”
 
Em 2006, ele entrou com um pedido de indenização num processo contra o Estado do Maranhão pelo tempo que ficou preso injustamente. Agora, aguarda pela audiência que será em outubro, mas quer voltar para o Maranhão antes, pois prevê que o processo vai ser demorado. “Eu me senti mal quando saí da cadeia, pois eu não sabia como a população ia me receber. A gente fica marcado pela sociedade, mesmo quando é inocentado. É uma vida difícil. O que eu passo e o que eu passei, dinheiro nenhum paga”, desabafa.
 

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