Empresários do setor analisam que Francal terminou sem atingir metas


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Danilo Carrera, da Pipper, vendeu entre 5% a 10% a menos a Francal em comparação com 2013
Danilo Carrera, da Pipper, vendeu entre 5% a 10% a menos a Francal em comparação com 2013
Reportagem de Melissa Toledo, Marco Felippe e Ana Catarina Prebill
 
De satisfatória a ruim. Assim grande parte dos empresários francanos que expuseram na 46ª edição da Francal (Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios) definiu a feira que terminou nesta sexta-feira, 18, no Pavilhão de  Exposições do Anhembi, em São Paulo. Com vendas abaixo da média tradicional, o setor calçadista corre o risco de ter um segundo semestre mais amargo que o esperado.
 
Um bom parâmetro para endossar a impressão deixada pela feira de 2014 pode ser observado através de um levantamento feito pelo Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), que pesquisou o desempenho de 34 dos 45 expositores de Franca no Anhembi. Entre os 17 expositores do Espaço Moda, a maioria considerou a Francal regular (70%) ou ruim (10%), enquanto apenas 20% a definiu como boa. Circularam pelo espaço durante os quatro dias do evento aproximadamente 3 mil pessoas, segundo a assessoria de imprensa do sindicato.
 
Já dentre os estandes individuais, ainda segundo o levantamento do Sindifranca, nenhuma das 17 empresas analisadas considerou ótimo o desempenho obtido na feira. Quinze a consideraram regular ou ruim, e apenas duas declararam que a Francal foi boa.
 
A opinião do gerente da Pipper, Danilo Carrera, corrobora com os resultados da pesquisa. Ele afirmou que as vendas durante a feira ficaram abaixo da expectativa inicial. “Ainda não fechamos nossos relatórios, mas extraoficialmente, se compararmos a 2013, as vendas devem ter sido entre 5% e 10% menores”, disse.
 
Ao fim dos quatro dias de feira, o diretor da Jota Pe, Antônio Alves de Castro, também reconheceu que a Francal foi mais fraca neste ano e já fala na possibilidade de haver demissões. Segundo ele, o número de visitantes ficou abaixo do registrado nos anos anteriores. “A gente esperava mais, ficamos abaixo da meta”. O empresário havia estimado vender 30 mil pares na Francal, mas disse ter comercializado 20% menos que isso. “Por enquanto manteremos a nossa produção e aguardaremos a entrada de agosto. Se não conseguirmos resultado positivo com o pós-feira, as demissões não estão descartadas.”
 
Na outra ponta estão empresas como a Calvest, onde o gerente comercial, Paulo Geminiano, afirma que a feira superou as expectativas negativas que antecediam o evento. “Os três primeiros dias surpreenderam a nossa equipe com os bons números de visitação e negócios. Ainda não fechamos o balanço, mas acredito que neste ano os negócios superaram os realizados anteriormente”, afirmou.
 
Douglas Chicaroni, gerente de marketing da Albanese Studio, também disse considerar a feira positiva, uma vez que atingiu a meta de vendas que havia traçado. “A visitação foi menor, mas quem veio, veio para comprar”, afirmou.
 
Na Ferricelli o quadro é quase parecido, já que o gerente comercial, Denizar Trevisani Júnior, afirmou que, mesmo em meio a uma feira considerada fraca de um modo geral, a empresa realizou boas vendas. “A feira foi pior (em geral), mas nós superamos as vendas do ano passado.”
 
Ele atribui o resultado positivo ao sucesso da coleção apresentada. “É fruto do trabalho realizado ao longo dos últimos anos. Investimos em pesquisa e trouxemos novidades”. A Ferricelli produz 3,5 mil pares de calçados por dia e emprega 260 funcionários.
 
Francal 2015
Por outro lado, a queda significativa no número de expositores na edição deste ano da Francal e a visível redução da visitação, segundo a diretoria da feira, não deve provocar mudanças significativas em seu formato para o próximo ano. 

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