Poema em homenagem ao amigo Luiz Cruz
As estrelas e a lua
Seguem com olhar
De piedade grupo
De mães da Baixada Fluminense
Perdido sem morte sem rumo
No labirinto da cidade
Procurando desesperadamente
Seus filhos queridos
Desaparecidos de repente
As estrelas e a lua
Viram tudo o que aconteceu
Viram tudo e nada dizem
Viram ódio correrias
Viram fuzis metralhadoras
Viram manchas de sangue no chão
Viram tudo e nada dizem
Às mães infelizes
Junto com elas caminha
Sem que ninguém a veja
A mãe daquele que ensina
Há mais de dois mil anos
A união entre homens
O amor entre homens
E a humanidade
Ainda não aprendeu
O sofrimento que essas mulheres
Carregam no ombros é igual
Ao de mães argentinas
Que em praça de Buenos Aires
Levantam estandarte de indignação
Pelo desaparecimento
De filhos queridos também
Tocai sinos das igrejas
Rufai tambores dos terreiros
Pela mães desesperadas
Pelos filhos desaparecidos
Pelos sonhos assassinados
Atrás da noite
Pelos fatos sem solução
Na América na África
No mundo inteiro
Tocai sinos das igrejas
Rufai tambores dos terreiros
Amém
Carlos de Assunção, poeta, advogado, membro da Academia Francana de Letras e membro do Coletivo Cultural Poesia na Brasa /Capital
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