Impostos já ‘tiraram’ R$ 270 milhões dos francanos neste ano


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Franca pagou R$ 270,3 milhões em impostos somente no primeiro semestre deste ano, segundo o Impostômetro, da Associação Comercial de São Paulo e do Instituto de Planejamento e Tributação. É como se cada morador de Franca tivesse pago R$ 872,27 de tributos e impostos municipais, federais e estaduais em seis meses. Em 2013, no mesmo período, esse valor foi de R$ 802,58 por pessoa.
 
Segundo Hélio Braga, professor de Economia do Uni-Facef, a alta carga de impostos reduz o poder aquisitivo da população, principalmente pelo fato de a maioria ter baixo salário, o que se reflete no consumo. “As pessoas acabam optando por comprar sempre o mais barato. Isso acaba anulando a fórmula de desenvolvimento econômico, que é baseada no consumo. Com as taxas que elevam os preços, fica mais difícil comprar, ainda mais em um cenário de juros em alta... As pessoas estão vivendo sufocadas”, disse ele.
 
Ainda de acordo com o economista, a forma como os impostos chegam aos consumidores também atrapalha a economia da cidade, já que esses valores poderiam ter um destino diferente. “Temos impostos de primeiro mundo e serviços públicos de quarto mundo. A alta tributação de impostos embutida em produtos e serviços dificulta muito o desenvolvimento da economia. Esse montante de recursos pagos teria sido destinado ao consumo ou para melhores serviços. Chamamos esse efeito de sequestro de recursos, que tem um efeito negativo na sociedade e penaliza a economia do município.”
 
Um exemplo para avaliar como a carga tributária é alta para os trabalhadores da cidade é a comparação do valor médio pago neste primeiro semestre com o piso salarial de um sapateiro em Franca, que é de R$ 815,37. Portanto, é como se um trabalhador do setor calçadista, que concentra a maior parcela de profissionais na cidade, utilizasse um mês de seu salário para pagar seis meses de tributos. Outro comparativo é o salário mínimo nacional que hoje é de R$ 724, insuficiente para pagar seis meses de tributação do francano.
 
O presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca, Fábio Cândido, considera o valor cobrado em impostos um abuso. “Acho um roubo contra o trabalhador, não existe uma outra palavra para definir. É exorbitante o valor pago pela população ao governo. Se pelo menos tivesse um serviço público de qualidade, estaria tudo bem, mas nem isso”, disse.
 
Para Cândido, a Lei 12.741/ 2012 que determina a apresentação dos impostos nas notas fiscais ajudaria a saber quanto fica com o governo. A lei deve passar a vigorar até o fim deste ano. “Pelo menos o cidadão teria consciência do que está pagando.”
 
Com o valor dos impostos que o francano pagou no último semestre, seria possível viabilizar mais de 939 postos de saúde equipados ou adquirir mais de 3,3 mil ambulâncias equipadas (veja quadro nesta página). 
 
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