Saldo positivo


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Terminada a Copa do Mundo, o saldo em vários aspectos, foi bastante positivo, ao contrário do que imaginavam alguns pessimistas. O povo brasileiro deu um “banho” de simpatia, cordialidade, alegria e espírito esportivo que foram destacados por todos os turistas estrangeiros. No campo foi a copa das copas, com noventa e oito por cento de ocupação nos estádios. Até jogos de qualidade duvidosa encheram as arenas, tudo funcionando à contento.
 
O interessante é que as poucas reclamações devem ser colocadas na conta da Fifa e não do País, como, por exemplos, o alto preço dos alimentos nos estádios, a incidência de ingressos falsos e cambistas internacionais infiltrados no esquema de venda de ingressos por organismos ligados à própria Fifa. Ela que se diz tão organizada. Como todo evento internacional dessa grandeza, há um grande intercâmbio de costumes. Nós brasileiros, também aprendemos muito, inclusive com os japoneses, a limpar o estádio ao final do jogo.
 
Parece que a até então a retórica frase de que o “lixo deve ser colocado no lixo” saiu da teoria e ganhou a prática, pois tal proceder deve ocorrer no clube recreativo, na praia, no campo de futebol, no rodeio, enfim, cada qual deve ser responsável pelo destino do lixo que produziu. No campo de jogo, a mensagem do Brasil ao Mundo, foi: Não somos mais quase imbatíveis em nossa casa. Felipão, talvez injustamente, acabou sendo eleito o vilão da vez e Barbosa, o goleiro da copa de 50, acabou redimido sessenta e quatro anos depois.
 
O fato é que temos que admitir que outras seleções se prepararam melhor. Mas a derrota deixa importantes lições: temos que repensar a “Lei Pelé” e também a maneira como o País tem formado os novos talentos nas categorias de base. O futebol brasileiro se despersonalizou. No final, ganhou a equipe que se apresentou melhor, foi mais organizada e determinada, aliás, traços positivos e marcantes do caráter do povo alemão.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca
 

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