Amanda é feita de cor


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Amanda era muito danada e vivia a subir em árvores e jogava-se delas como se fosse um passarinho, como ela não era uma ave, não voava e caía no chão se esfolando toda. Vivia de joelhos machucados e pés inchados. Amanda chamava-se assim por escolha da irmã, seu nome significava que ela era amada, muito amada.
 
Não sei dizer o que se passava naquela cabecinha de cabelos com flores, cheguei nessa estória bem depois dela, em um momento onde tudo o que ela sentia fazia colorir seu corpo, isso foi pouco antes da adolescência.
 
No dia em que ela perdeu seu cachorrinho no lugar de chorar com os olhos a pele dela foi ficando amarelada. Um amarelo desbotado, cor de aquarela. Quando a sua mãe chegava ela coloria-se de tantas cores diferentes que ficava difícil saber o que ela sentia.
 
Os amigos começaram a achar estranho, ela vivia manchada e de suas manchas podiam-se fazer desenhos. Amanda parecia ARTE, ela bem que poderia ser um quadro de Romero Britto.
 
Uma vez ao errar a tabuada ficou toda roxa e depois com raiva das gargalhadas dos amigos ela começou a avermelhar-se até que por fim estava marrom e cinza.
 
Bonita mesmo ela ficava quando admirava a lua e a noite, então Amanda enegrecia como o céu e seus olhos pareciam estrelas de prata. Alguns dizem que sua mãe quando grávida teve vontade de engolir o arco-íris, outros dizem que ela era colorida, pois seu avô era o dono do circo e tinha feito promessa para o Santo Genésio, que é o santo que protege os artistas e aí ela nasceu assim toda poesia. 
 
Sei que a última vez que ela mudou de cor foi quando engoliu todo o azul do mundo chamado de amor, e sem mais foi feliz.
 
Milla Souza

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