Independente das oscilações da economia e dos resultados a serem alcançados, participar da Francal (Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios) é tradição para grandes marcas de Franca. Com altos investimentos e coleções inovadoras, elas querem se manter em evidência, fidelizar a clientela e fechar o máximo possível de pedidos. Não muito diferente é o desejo das novatas, que chegam à feira com a esperança de ganhar mais mercado, vender e construir uma história de sucesso.
A seleta lista de expositores da cidade que acompanham a Francal desde seus primórdios no final da década de 60 tem Agabê e Sândalo como pioneiras. As duas participam do evento desde a primeira edição, que ocorreu em 1969, em Franca, e não almejam ficar de fora das próximas. O motivo é o retorno que a feira proporciona.
Segundo o diretor executivo da Agabê, Marcelo Bettarello, a Francal se tornou uma necessidade para quem quer se manter no mercado.Neste ano, a empresa espera alcançar os mesmos 11 mil pares vendidos na edição passada. “Apesar de focarmos em botas e a feira ser voltada para os lançamentos de primavera/verão, no segundo semestre ainda há muitas festas e eventos do gênero sertanejo de peso. Vale a pena vir”.
A Agabê produz botas exclusivas há um ano, mas, mesmo antes, fazia questão de ter seu estande dentro da feira. “Mesmo na transferência da Francal para São Paulo, nós acompanhamos. A feira foi ganhando importância e nós fomos crescendo junto”, disse o empresário que na 46ª Francal inovou e investiu R$ 140 mil em uma carreta que serve como estande para os 420 modelos em exposição. Sobre o segredo para realizar boas vendas, Bettarello aponta a qualidade das botas produzidas artesanalmente.
Outra veterana, a Sândalo admite que a Francal no passado foi crucial para as vendas, mas hoje tem um papel de vitrine e ponto de encontro também importante. “A feira não representa tanto em vendas, mas não deixou de ser importante. Hoje as vendas continuam, mas fazemos mais contatos e fortalecemos vínculo com representantes”, disse o diretor Téti Brigagão.
A empresa neste ano diminuiu seu espaço dentro do Anhembi. O estande, que em anos passados chegou a ocupar 150 metros quadrados, atualmente não passa dos 60. Com área menor, a quantidade de amostras para a feira, que antes ultrapassava os 200 modelos, agora se restringe a 170. Para o diretor, o marketing projetado pela participação e a vinda de importadores é o que determinam a participação da Sândalo na feira. “É importante estarmos aqui para sermos vistos tanto pelo mercado interno como pelo externo, que hoje ocupa 20% da nossa produção”.
A presença de importadores também é destacada pelo diretor da Francajel, Tamer Hajel. O empresário participa da Francal há 35 anos e diz que a vinda de compradores nacionais e internacionais é um dos grandes diferenciais em relação as outras feiras regionais. “Nunca pensamos em abandonar a participação na Francal. Pelo contrário. Fazemos questão de vir, mesmo com a redução de visitantes que vem ocorrendo nos últimos anos. Nesta edição, por exemplo, não é a feira que está ruim e, sim, o momento da economia”. A Francajel trouxe para a Francal 120 pares da nova coleção ante os 90 que traziam anteriormente.
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