A Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) apresentou nesta quarta-feira, 16, um panorama do setor calçadista no último ano e uma previsão de como deve ser o desempenho da indústria até o fim de 2014. Apesar de toda a expectativa positiva em torno dos resultados da 46ª Francal (Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios), os números projetados não são bons e devem ficar aquém dos alcançados em 2013.
Segundo os dados do Relatório Setorial da Indústria de Calçados do Brasil elaborado pelo o IEMI (Instituto de Estudos e Marketing Industrial), em todo o País foram produzidos no ano passado 900 milhões de pares. Para o presidente da Abicalçados Heitor Klein, este patamar não será atingido em 2014. Ele estima um encolhimento da produção de 1% ao mês até dezembro. “Haverá uma redução e adequação do nível de atividades das empresas calçadistas diante da situação do mercado que está retraído. Tivemos um primeiro semestre muito fraco. Não estamos tendo inverno. O varejo brasileiro está estocado”.
Klein disse ainda que não há ímpeto dos varejistas em repor estoques ou pensar na nova temporada primavera/verão. “As chances de uma enxurrada de demissões na indústria calçadista existe e é alta. Hoje essa é a situação, tomara que melhore. Para tanto, deve contribuir o resultado da Francal”.
Caso ocorra crescimento, Klein disse que a alta será muito tímida. No ano anterior, houve incremento de 4% na produção total de calçados. Foram produzidos 900 milhões de pares ante os 864 milhões em 2012. Deste montante, a linha de calçados de plástico e borracha, na qual se inserem os chinelos e sandálias, tem mais da metade da produção (56%), enquanto os confeccionados em couro, produzidos principalmente no polo industrial de Franca, representam apenas 12%.
Na cidade, neste primeiro semestre do ano, as demissões voltaram a assombrar as empresas do setor. No Sindicato dos Sapateiros, o número de rescisões homologadas tem sido de, em média, 30 por dia. “Infelizmente o cenário nos mostra que a situação tende a se agravar. Estive em Franca há cerca de dez dias e me informaram que várias empresas estão reduzindo o quadro de pessoal. A realidade da cidade segue a linha da indústria nacional”, pontuou o presidente da Abicalçados.
Não só as pequenas empresas estão reduzindo seus quadros. As grandes, apesar da capacidade de investimento e produção, também tem demitido diante do mercado retraído. Ele lembrou que, apesar do pessimismo, existe algumas empresas que sobressaem e alcançam resultados positivos. “Tem empresa com competência, que consegue encontrar nicho de mercado e fazer um produto diferenciado e com isso crescer”.
Ainda sobre o futuro das fábricas de calçados, o executivo revelou a possibilidade de um novo êxodo de empresas para o Nordeste em busca de melhores condições de gestão. “Essa é uma discussão que está começando no setor e pode evoluir nos próximos anos. Seguramente a indústria calçadista precisa pensar nesse movimento, ela não pode ficar parada diante das dificuldades que se apresentam. As condições atuais de mão-de-obra tanto em termos de disponibilidade e quanto de custo estão ficando mais difíceis. Outros setores oferecem salários mais elevados e as indústrias de calçados não podem competir. Se formos pagar salários equivalentes, nosso produto ficarámais caro e perdemos mercado”.
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