#orgulhoevergonha


| Tempo de leitura: 2 min
Elaboro este texto no dia 9 de Julho de 2014, quarta-feira das cinzas, tentando aplacar os sentimentos desta manhã de ressaca dos 7 x 1 que a Alemanha aplicou na Seleção Brasileira em eliminatória da Copa do Mundo. Não apenas pelo jogo, que é inexplicável, mas pelo momento que vivemos no País. Antes da Copa vimos manifestações por todos os lados pregando o desastre, dizendo que tudo daria errado. Matérias pelos jornais estrangeiros dando conta dos perigos de vir ao Brasil, da prostituição, da miséria, da corrupção, dos desmandos. Por ver nas críticas, várias delas injustas, um fundo de verdade, senti vergonha. Passada a Copa os estrangeiros retornam para suas casas deslumbrados com o Brasil, com a festa, com nossa simpatia, nosso sol, praias, educação e alegria. A Copa do Mundo no Brasil foi um sucesso. E isso me enche de orgulho.
 
Mas quando penso na prioridade que demos à Copa enquanto problemas fundamentais continuam de lado, sinto vergonha. E o espetáculo da torcida e dos jogadores no momento do hino? Como não se arrepiar, não se emocionar, não cantar junto? Me deu orgulho! Os 7 x1 foram o tapa que o mocinho dá na mocinha descontrolada para ela acordar para a realidade. E agora? Não tem juiz pra botar a culpa. Não tem gramado pra botar a culpa. Não tem onde botar a culpa, a não ser em nós mesmos. É hora de retornar à realidade, aos problemas que todos conhecemos, e agora com os 7 x 1 nas costas. Que vergonha.
 
Mas o “massacre do Mineirão” pode ser pedagógico: talvez — eu disse talvez — extrapole o futebol e contribua para acabar com a arrogância, o “jeitinho”, o “a gente se vira”, o “na hora dá certo”. Para mostrar que é impossível levar um sonho adiante sem gente capaz de colocar em prática um plano. Mostrar que o “mais ou menos” é pouco, que talento é fundamental, mas sem disciplina e aplicação fica dependendo da sorte. E que talvez Deus não seja só brasileiro.
 
Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrante, cartunista

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários