Produtividade e emprego


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Criar empregos. Era, e continua sendo, salutar preocupação do Governo, sobretudo quando se tem em conta o potencial da economia, e da indústria, em particular, para ampliar as possibilidades de criação de postos de trabalho via exportações de manufaturados com alto valor agregado. No entanto, não é o que vem acontecendo. Somos hoje o que sempre fomos: exportadores de “commodities”. Aquela possibilidade para se tornar real, necessita de crédito, baixo custo de transporte, simplificação do processo burocrático de liberação e, principalmente, de inovações e ganhos de produtividade. Isto sem falar em marcas e em canais de comercialização.
 
Os fatores mais importantes, nesse contexto, são as inovações e o consequente aumento de produtividade. Ampliar as exportações de manufaturados, criar empregos e, a partir daí, estabelecer as condições para o desenvolvimento são objetivos que devem estar assentados nas inovações, seja em relação ao produto, ao processo produtivo, às formas marketing ou, ainda, às técnicas de gestão. No Brasil, ao contrário do que ocorre em países industrializados, as empresas nacionais, de um modo geral, têm dificuldades para manter centros ou departamentos de “pesquisa & desenvolvimento”, fonte das inovações tão necessárias. Vivemos de soluções vindas de fora, pelas quais pagamos (elevados) “royalties” ou, então, vamos na onda da aculturação.
 
A proposta de criar empregos e a necessidade de aumentar o volume de exportação de manufaturados com valor agregado exige uma atuação dinâmica e moderna por parte do Governo e dos empresários. É sabido, no entanto, que o Brasil ocupa uma posição insignificante na inovação tecnológica no mundo. Nos últimos anos, o país registrou apenas 0,2% das patentes internacionais. Nesse quesito, países como os Estados Unidos, Alemanha, China, Inglaterra, Japão e Coreia são os destaques.. 
 
Mobilizar os institutos oficiais de pesquisa, favorecidos por créditos e políticas dirigidas, e a firme articulação com a empresa nacional, podem propiciar estratégicos avanços tecnológicos. Não se trata de reinventar a roda, mas de adotar medidas que não nos deixem à margem da corrente das inovações. 
 
Vicente P. Oliveira
Economista; FEA-USP
 
 

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