Iniciada ontem, a 46ª edição da Francal (Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios), como acontece em ano eleitoral, deverá ser parada obrigatória para candidatos em todos os níveis nas eleições deste ano. A indústria calçadista (e não só a de Franca) deverá aproveitar as visitas que se sucederão até a sexta-feira para apresentar reivindicações e mostrar os problemas pelos quais tem passado nos últimos anos, com queda na produção, demissão de trabalhadores e falta de incentivos, o que vem afetando de resto todo o setor produtivo brasileiro nos últimos meses.
Além disso, os indícios para o fechamento do ano não são nada animadores: baixo crescimento econômico, déficit na balança comercial, inflação bem acima do centro da meta e desemprego persistem em todos os prognósticos que se fazem. Nem a Copa do Mundo foi capaz de reverter o quadro negativo. A Francal está sendo um verdadeiro termômetro da situação atual, com os expositores sentindo na pele a deterioração dos índices que regem a economia brasileira. Por isso, cada candidato — principalmente aos cargos majoritários (aos governos estaduais ou à presidência da República) — que pisar nos Pavilhões do Anhembi forçosamente terá que se manifestar como interlocutor do setor que, em razão da Francal, torna-se porta-voz de toda a cadeia produtiva do País.
Durante a abertura da Feira, o presidente da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), Heitor Klein, mostrou otimismo ao prognosticar a retomada do crescimento da indústria calçadista brasileira. Ele confia na possibilidade de serem fechados bons negócios que permitam ao setor recompor as vagas de emprego perdidas nos últimos meses e retomar a produção a pleno vapor. Mas se mostra bastante cauteloso, pregando a união dos fabricantes e evitando cobrar de forma efetiva ações governamentais para o segmento.
Porém, não é o que se percebe junto aos fabricantes que expõem no Anhembi. Todos cobram uma política específica para a indústria, algo que não existe no Brasil. Além de uma política cambial realista, a reforma tributária é considerada essencial para que os investimentos sejam retomados e a competitividade, principalmente no mercado externo, faça a balança comercial pender para o nosso lado. A concorrência predatória causada por políticas industriais de países como a China, inclusive aqui no País, causa dificuldades para que a indústria brasileira possa concorrer em reais condições com fabricantes de calçados orientais.
A Francal torna-se, assim, uma verdadeira tribuna reivindicatória, permitindo que se atue junto aos candidatos apresentando o que o setor espera dos que serão eleitos em outubro próximo. E, mais importante ainda, que acompanhem as suas reivindicações após a posse dos gestores e legisladores eleitos. Afinal, tudo o que for feito para beneficiar a indústria também será benéfico à sua grande massa trabalhadora, que vive apreensiva e aos sobressaltos diante do temor pelo desemprego, a cada dia mais presente na vida dos trabalhadores brasileiros.
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