Depois de dois ônibus terem sido queimados no bairro Aeroporto III, na última segunda-feira, trabalhadores ficaram sem o serviço de transporte público por boa parte da manhã de ontem. Após reunião, a empresa São José decidiu normalizar o atendimento, porém, segundo moradores, com bem menos frequência do que o normal.
Segundo a auxiliar de cozinha Edilaine Leite Rodrigues, 35, não havia ônibus ontem pela manhã, entre as 5 e 7 horas. “Meu marido utiliza ônibus, mas como não passou o primeiro horário, às 5h20, eu tive que levar ele de carro até o serviço. Muita gente perdeu o horário, as pessoas que vivem aqui tiveram que caminhar muito até poder pegar uma condução. Meu pai, por exemplo, caminhou mais de cinco quarteirões. Quando eu tive que sair para trabalhar, às 6h45, não tinha ônibus ainda e também fui de carro para o trabalho”, disse.
De acordo com uma fonte ligada ao transporte público municipal, em uma reunião na empresa São José, por volta das 9h30 de ontem, foi decidido recolocar as linhas de ônibus que atendem o Aeroporto III em funcionamento. Porém, utilizando apenas a avenida César Martins Pirajá, principal via do bairro.
A vendedora Antônia Aparecida da Silva Rodrigues, 55, abriu a loja onde trabalha, na avenida principal, por volta das 9h20. Ela disse que estranhou a demora dos ônibus e o acúmulo de pessoas no ponto localizado em frente à loja. “Realmente estava bem devagar, não estava fluindo como sempre, percebi que estava mais demorado e as pessoas estão reclamando bastante”, afirmou.
Além de não terem mais transporte próximo de suas casas, os moradores da rua Denizar Trevizan, onde os ônibus foram incendiados, têm de conviver com a má iluminação à noite. Para Corina Alves da Silva, 62, o local está abandonado desde antes do atentado aos ônibus. “Já tinham tirado um ponto que tinha aqui e agora temos que andar muito para chegar em outro, depois desse incêndio. Aqui não tem iluminação e é muito perigoso à noite. É um absurdo, com esse valor de R$ 3,10, passarmos por isso”, disse.
Nem a Prefeitura nem a Empresa São José se manifestaram sobre o assunto.
Segundo o delegado da DIG, Márcio Murari, as investigações sobre o incêndio nos ônibus prosseguem.
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