‘A Francal será um marco’


| Tempo de leitura: 4 min
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, culpou falta de apoio do governo federal por estagnação econômica
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, culpou falta de apoio do governo federal por estagnação econômica
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), foi a principal autoridade política na abertura da Francal. Ele ouviu as críticas dos empresários calçadistas e falou das medidas de incentivo ao setor já tomadas por seu governo. Não fez promessas ou anúncios de investimento e cobrou reformas por parte do governo federal.
 
Qual avaliação o senhor faz do primeiro dia da Francal? 
Acho que a Francal vai ser um marco neste ano. O primeiro semestre foi mais fraco, mas acho que o setor coureiro-calçadista tem tudo agora para retomar os negócios e as vendas com força nos próximos meses. O presidente Abdala (Jamil Abdala, da Francal) e o Sindifranca me destacaram a importância da Francal, principalmente, para os pequenos empresários se organizarem. Fiz questão de vir à abertura da feira, como faço todos os anos, para reiterar o compromisso de São Paulo com o setor calçadista, com o ensino técnico e tecnológico, com as Fatecs e Etecs - com o crédito, através da Desenvolve São Paulo; com a redução dos impostos para o setor de 18% para 12% no atacadista e de 7% para as indústrias; com o crédito para os exportadores, ampliação do prazo de pagamento e apoio do Instituto de Pesquisas Tecnológicas na parte de projetos. O setor tem todo o apoio do Estado.
 
Os empresários calçadistas reclamam da queda das vendas e começam a demitir. O número de expositores na Francal este ano é menor do que nas edições anteriores. Estes indicadores negativos não preocupam o senhor? 
O primeiro semestre não foi bom. No ano passado, até que as exportações tiveram crescimento. Agora, o começo deste ano foi mais fraco. Aliás, a economia como um todo vai mal. Havia uma expectativa do PIB brasileiro crescer 3% este ano. Depois, se reviu para 2,5%, para 2%, 1,5% e, agora, há os que acham que vai crescer 1%. Sem dúvida, é um momento difícil, o que mostra a necessidade das chamadas macro-reformas para melhorar a competitividade do produto brasileiro, para reduzir custo. Quando os calçadistas reclamaram, na abertura da Francal, que o Carnaval e a Copa atrapalharam e que, agora, ainda terá a eleição, eu brinquei: ‘eleição não vai atrapalhar porque na eleição tem que gastar a sola do sapato’.
 
A abertura da atual edição da feira, sem dúvida, foi a mais pessimista dos últimos anos. O presidente Abdala chegou a dizer que os calçadistas estão com raiva. Como o senhor avalia o tom dos discursos que passaram longe do otimismo? 
É preocupante. Na realidade, as medidas que foram tomadas, especialmente, na esfera federal, não foram suficientes para segurar a importação. Você pega o setor de bolsas, por exemplo, hoje é quase todo tomado pelas importações. Há necessidade de melhorar a competitividade, de termos reformas macroeconômicas, o dólar e o câmbio prejudicam enormemente as exportações. Mas, acho que a Francal vai ser um marco. O Abdala foi feliz quando disse que o ano vai começar agora no sentido econômico. Vamos pisar no acelerador e dar todo o apoio ao setor.
 
Tanto nesta entrevista, quanto no discurso de abertura da feira, o senhor destacou medidas que já tomou de incentivos ao setor. Agora, como candidato à reeleição, caso eleito, qual o compromisso que faz? 
Como estou vindo aqui como governador, não posso falar como candidato para respeitar a lei, mas quero destacar o esforço que foi feito junto com o setor, com o sindicato, com empresários, com trabalhadores e prefeitos. É claro que são necessárias novas medidas. O caminho é ouvir os empresários e ver o que pode ser feito. Se o setor vai bem, o Brasil vai bem, São Paulo vai bem. O beneficiado é o trabalhador brasileiro. 
 
Antes de encerrar a entrevista, gostaria de ouvir o senhor, como apaixonado que é pelo futebol, sobre a participação do Brasil na Copa do Mundo. O Felipão caiu. Se fosse o presidente da CBF, quem gostaria de ver no comando da seleção?
A Copa do Mundo teve um lado, no caso de São Paulo, muito bem avaliado. A segurança foi elogiada por todos. Os transportes foram bem, o metrô e trem agradaram. O trem da Copa foi um total sucesso. 90% das pessoas que foram ao estádio foram de trem ou metrô. Nossas obras ficaram prontas antes do prazo. Nossas verbas não foram para construir estádio, mas preferimos melhorar infraestrutura e as condições para a população. Não tem um centavo de dinheiro público paulista no estádio.  Em relação ao futebol e à seleção, é claro que todos nós ficamos tristes. Cada torcedor é um técnico, palpiteiro. Acho que precisa ter um chacoalhão, choque de gestão no futebol, mas isto tem que ser feito por quem é da área. Eu não sou especialista, sou perna de pau.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários