Corredores visivelmente mais largos e fechamentos com tecidos tensionados para reduzir os espaços vazios deixam claro que a 46ª Francal (Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios), que começou ontem e segue até sexta-feira, está menor. Com 495 expositores - ante os tradicionais 1 mil -, a feira ainda chega como um sopro de otimismo para o setor, que vem de um semestre freado e quer garantir a produção para a segunda metade do ano.
Nesta edição, estão presentes 45 empresas de Franca, contra 64 no ano passado, 69 em 2012 e 85 em 2011. O Espaço Moda Franca - estande coletivo organizado pelo Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) em parceria com a Prefeitura e o Sebrae para micro e pequenas empresas, abriga 17 empresas, enquanto no ano passado eram 24.
Para os organizadores, os principais responsáveis pela redução no número de expositores foram a realização da Copa do Mundo no Brasil após 64 anos - o que causou a postergação da data da feira -, o Carnaval tardio e o ano eleitoral. Esta combinação teria deixado fabricantes temerosos. Segundo Abdala Jamil Abdala, presidente da feira, o primeiro semestre de 2014 “não aconteceu” para o setor calçadista. “Tenho dito: ‘feliz 2014’, porque agora que o Brasil vai começar a trabalhar”.
Se de um lado a participação dos fabricantes está menor, do outro a expectativa de manter o mesmo índice de visitação se mantém por parte de Abdala. Sessenta mil visitantes de cerca de 70 países são esperados até sexta-feira.
A confiança vem do fato de a diretoria acreditar nos reflexos de um pacote de ações com o qual se armou para atrair o lojista e afastar os tais boatos pessimistas, que incluíam o receio de não haver vagas em hotéis ou de a cidade de São Paulo sofrer um caos no sistema de trânsito por conta da proximidade com a Copa. A organização da feira pré-reservou 1,5 mil suítes em hotéis da capital paulista e subsidiou as mesmas, promoveu caravanas gratuitas voltadas a lojistas em diversas regiões do País, além de lançar incentivos para representantes comerciais.
Considerada o principal evento para lançamento das coleções primavera-verão de calçados da América Latina, a Francal reúne importantes e grandes fabricantes de calçados do País, grifes de reconhecimento internacional, além de pequenas e médias empresas de polos calçadistas.
BOAS VENDAS
Apesar dos corredores, aparentemente, mais vazios em relação a feiras anteriores, os calçadistas de Franca consultados pela reportagem consideraram o primeiro dia de feira bom. Segundo o gerente de marketing da Rafarillo, Ronilson Vieira, a terça-feira superou as expectativas. “Geralmente os primeiros dias são mais tranquilos, mas, tanto em vendas quanto em visitação, alcançamos o que havíamos planejado”, disse.
O balanço do primeiro dia foi positivo também para a Pipper, de acordo com Rodrigo Carrera, gerente de marketing. Ele disse que a terça-feira começou com pouco movimento, mas logo no início da tarde o quadro começou a ser revertido. A perspetiva da empresa era apenas manter o número de visitas e vendas de 2013, mas, embora o balanço ainda não tivesse sido fechado, Carrera disse acreditar que os números serão melhores do que no ano anterior.
José Luís Granero, diretor da Calvest, disse estar otimista para esta edição da feira. “O trabalho de mídia ajudou a levar lojistas para o estande, que não ficou vazio em nenhum momento. O pessoal gostou das coleções e, com certeza, faremos um grande segundo semestre”. Granero afirmou ainda que acredita que a empresa tenha vendido mais ontem do que vendeu no primeiro dia da última Francal. “Na feira passada vendemos um total de 65 mil pares. Se tudo for como hoje (ontem), venderemos mais neste ano”, disse.
Na Sapatoterapia o clima era semelhante. “Superamos a nossa meta. Muitos clientes que tinham falado que não viriam à feira, vieram”, disse Regina de Paula, representante do departamento comercial da empresa. Segundo ela, somente no primeiro dia a marca vendeu ao menos 10% dos 20 mil pares que espera comercializar no mercado interno até o final da feira.
Sem citar números, o diretor da Mariner, Paulo Roberto Nunes Coelho, também se mostrou satisfeito com o resultado. A movimentação de visitantes ficou dentro do esperado e o estande se manteve com as mesas cheias ao longo de todo o dia. Contrariando o discurso comum dos empresários do setor calçadista, Coelho disse que a Mariner teve um primeiro semestre satisfatório e afirmou que sustenta a expectativa de que a boa visitação se mantenha nos próximos dias. “Trabalhamos direto”, disse, afirmando que a Mariner produz hoje 4,5 mil pares por dia através da mão-de-obra de 560 funcionários.
O Espaço Moda Franca, estande coletivo que agregra pequenos fabricantes da cidade, registrou 920 visitantes durante a terça-feira, além de outros lojistas que não entraram na conta em virtude de uma falha no envio de crachás. Para Marcelo Mendes, diretor da Savelli, uma das empresas instaladas no espaço, foi positiva a movimentação da abertura e a expectativa é conseguir, ao fim dos quatro dias de feira, alcançar a meta de 12 mil pares vendidos. “Só hoje (ontem) fechamos cerca de 10% do proposto Considero, portanto, que foi positivo, apesar da desconfiança que havia”.
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