Francal começa em clima de apreensão


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O presidente da Francal, Abdala Jamil Abdala, troca tradicional discurso otimista por desabafo e pedido de ajuda divina
O presidente da Francal, Abdala Jamil Abdala, troca tradicional discurso otimista por desabafo e pedido de ajuda divina
O clima de apreensão entre os empresários do setor calçadista ficou evidente durante a abertura da 46ª Francal em São Paulo. O tradicional discurso de otimismo e boas vendas que reinou em outras edições, em 2014, deu lugar a desabafos e clamor por proteção divina. Abdala Jamil Abdala, presidente da Francal Feiras, era um dos mais preocupados. Nos cinco minutos de sua apresentação, por três vezes pediu a ajuda de Deus. “Hoje não existe aquela confiança, existe decepção. Existe até, eu diria, uma certa raiva, por aquilo que estamos passando neste País”, afirmou 
 
As palavras contundentes destoaram da visão sempre positiva do presidente sobre os resultados da feira. Para ele, a retração da economia deve ter seus reflexos. “Estamos em um ano atípico para nossa economia. O Carnaval começou muito tarde. Logo depois, veio a Copa do Mundo, um tsunami em cima do mercado. O nosso setor foi muito prejudicado neste ano. Não se trabalhou no primeiro semestre. Para nós, o ano começa agora”.
 
Não foi apenas Abdala que reclamou da crise econômica. Antoniel Lordelo, presidente da Ablac, entidade que representa os lojistas do País, afirmou que as circunstâncias não permitiram que ele desse notícias melhores. “O varejo, após quase uma década de crescimento, começa a dar sinais de perda. A tendência de queda foi comprovada pelo resultado negativo obtido em todo o País pelas vendas no Dia das Mães em comparação com 2013”. 
 
Para ele, a inflação em alta e a elevação dos juros afetam o orçamento e enfraquecem o consumo. “O cenário é de cautela”. Lordeiro disse que é preciso investir em estruturas que possam trazer de volta o crescimento e a competitividade dos produtos nacionais. “Isto deve ser alavancado pelo governo, seja ele qual for. Se nada for feito, a mesma situação persistirá. As próximas gerações pagarão o preço de uma eventual inércia dos governantes”.
 
Líderes empresariais também reclamaram do custo Brasil, da carga tributária e dos encargos. Cobraram reformas fiscais e trabalhistas. “Fiquei chocado com a situação apresentada”, resumiu Alencar Burti, presidente do Sebrae.
 
Não havia ninguém do governo federal para ouvir os lamentos dos calçadistas. Entre os governadores, Geraldo Alckmin (PSDB), de São Paulo, foi o único presente. Ele disse que o governo de São Paulo tem feito sua parte e cobrou mais apoio por parte do governo federal. “A economia não tem o ritmo que gostaríamos”. 
 
A Francal 2014 continua até sexta-feira. “Que Deus permita que possa acontecer, que Deus permita recuperarmos o que perdemos, que Deus nos ajude”, encerrou Abdala.

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