O vereador Márcio do Flórida (PT) deve representar contra o candidato a deputado estadual e vereador Laercinho (PP) no Conselho de Ética da Câmara. O termo começou a ser elaborado ontem após o candidato paralisar a sessão - realizada nesta segunda-feira devido a ida dos parlamentares à Francal hoje - e convidar seus colegas para tentar explicar in loco sua conduta diante das obras de alargamento da estrada rural Manuel Mathias, no Paiolzinho. Outro fato que colaborou para a decisão de Márcio foi a presença do sitiante João Miguel Siqueira Garcia e seus familiares no plenário da Câmara no período da tarde. Eles denunciaram e gravaram um vídeo que mostra o vereador oferecendo mudas de árvores, dinheiro e até uma vaca para que eles “não criassem problemas” por conta da invasão pela Prefeitura de um trecho de suas terras.
“Não protocolei ainda a representação. Estou elaborando. É uma representação para o Conselho de Ética e vou representar sim, até porque nós ouvimos o vereador Laercinho, estivemos no local. Ele solicitou nossa ida e acredito que temos que ouvir também o senhor João, a sua esposa e seu cunhado. Os dois lados têm versões diferentes.”
Para o petista, a maneira escolhida por Laercinho para resolver a situação não foi adequada. “O Conselho de Ética é que deve fazer esta apuração. Eu não tenho outro caminho a não ser fazer esta representação. Independentemente de amizade com o vereador, a coisa pública tem que ser formal. Não pode tentar resolver as coisas no jeitinho. Pode nem ter havido má-fé do vereador, mas tentou resolver a situação de uma forma inadequada, uma forma que não é a correta quando se trata da coisa pública.”
A ‘excursão’
Oito vereadores, além de alguns assessores parlamentares, munícipes e imprensa, acompanharam Laercinho até o local das obras. Durante a “excursão”, o parlamentar fez questão de repetir diversas vezes que o ônibus que os levou pertencia a uma empresa particular e havia sido fretado com dinheiro de seu bolso. No local, ele tentou se explicar afirmando que o sitiante havia invadido a área e feito a cerca no local errado, e que ele se ofereceu comprar a área com dinheiro seu, “não da Câmara nem do bispo”.
Laercinho também afirmou que, após parar a gravação do vídeo, o sitiante pediu R$ 5 mil para que o assunto fosse encerrado e a cerca colocada onde fosse preciso. Por fim, o vereador pediu que todos o acompanhassem em um Pai Nosso e uma Ave Maria e, como de costume, defendeu e isentou o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) de qualquer culpa. “Isso é particular, não tem nada de dinheiro público. E outra coisa, ninguém precisa incriminar o ‘Xandão’. É eu que estou coordenando aqui. O ‘Xandão’ apenas disse: ‘Vai lá e faz o serviço bem feito’. Só isso que ele falou. O resto tudo que vai acontecendo aqui, eu que vou ajeitando.”
Ao retornar à Câmara, Laercinho parecia ter mudado de ideia. Em entrevista ao Comércio, tratou a obra como do município, após ser questionado que, durante a conversa gravada pelo sitiante, ele admitiu que os funcionários municipais invadiram parte do sítio. “Quando você precisa convencer uma pessoa em uma negociação, você tem que ficar do lado dela. Se você fica do lado dela, ela fica mais acessível em atender você. Quando ele (o sitiante) queria jogar que eu tinha errado, disse que ele tinha razão... Errei porcaria nenhuma... Para começar, eu, Laercinho do Paiolzinho, não coloquei a mão em nenhum pau, não dei nenhuma ordem, não dei nada. Tudo aquilo lá é do município.”
Laercinho disse ainda que assumiu a irregularidade como munícipe e não como vereador. “Pedi (melhorias) para todas as estradas, mas eu não fui lá arrancar cerca nem nada... Todas as vezes que ele reclamava, eu sempre ficava do lado dele como munícipe, não como vereador.”
Revolta
Junto da mulher e do cunhado, o sitiante João Miguel Garcia acompanhou a parte da tarde da sessão da Câmara para, segundo ele, se colocar à disposição dos vereadores e explicar o ocorrido. “Teve um ônibus e carros lá com os vereadores e ninguém foi conversar comigo, perguntar alguma coisa ou falar o que está se passando.”
João também negou que tenha pedido R$ 5 mil a Laercinho em troca da invasão. “Ele (o Laercinho) fala que não invadiu minha propriedade e diz que eu que invadi a área da Prefeitura. Não é bem assim... Não é por dinheiro que eu fiz isso, é pelo direito da minha propriedade, do que eu tenho e conquistei.”
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.