Atentado na Zona Sul termina com dois ônibus da São José incendiados


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PM observa o que restou de ônibus da Empresa São José, queimado na manhã de ontem
PM observa o que restou de ônibus da Empresa São José, queimado na manhã de ontem
Dois ônibus da Empresa São José, que detém a concessão para o transporte público em Franca, foram destruídos em ação criminosa registrada pouco antes das 6 horas de ontem. O ataque ocorreu na rua Denizar Trevisan, quase esquina com a rua Alely Antunes de Paula, na divisa entre os bairros Jardim Aeroporto III e Santa Bárbara. Dois marginais participaram da ação. A polícia desconhece a motivação do atentado.
 
Várias pessoas, entre trabalhadores e estudantes, estavam no chamado “ponto final” da Denizar Trevisan, ao lado de uma matagal, aguardando a chegada do ônibus. Misturado aos passageiros, um dos envolvidos no crime. Ele esperou todos embarcarem, colocou um capuz e entrou no veículo com uma arma na mão. Aos gritos, mandou que cerca de 60 pessoas desembarcassem. Quem resistiu, foi “convencido” após um disparo para o alto. Neste momento, saiu do matagal um segundo envolvido. Ele tinha um galão com um líquido que seria combustível. O mesmo foi espalhado no ônibus antes que ateasse fogo.
 
O segundo veículo passava ao lado do primeiro e o marginal com a arma efetuou outro disparo para o alto, obrigando o motorista a parar no meio da rua, ao lado do primeiro ônibus. Condutor, cobrador e cinco passageiros deixaram o veículo que também foi atacado e destruído pelo incêndio. Na fuga, o cobrador MHF, 33, do Alvorada, esqueceu sua bolsa com documentos e pertences pessoais. Ele tentou voltar para pegar, mas foi impedido pelos colegas. “Fiquei paralisado (com o ataque)”, disse o desolado MHF.
 
As chamas alcançaram cerca de 10 metros de altura e romperam os cabos de alta tensão da rede de energia, deixando parte dos bairros da Zona Sul sem energia. A CPFL não informou número de residências afetadas. A energia foi totalmente restabelecida mais de quatro horas após o ataque. O Corpo de Bombeiros utilizou três veículos e oito homens para combater as chamas. Não houve registro de feridos.
 
A direção da São José chegou a interromper o transporte na região, mas voltou atrás da decisão pouco depois das 7h30. Um funcionário da empresa, que pediu anonimato, disse que os dois veículos, juntos, estão avaliados em quase R$ 400 mil. A empresa não informou o número de passageiros afetados pelo atentado.
 
Motivação 
A ocorrência foi registrada no 4º Distrito Policial, mas será a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) a responsável em apurar o caso. No final da tarde, PMs chegaram a deter dois suspeitos. Eles foram ouvidos e liberados. O delegado Márcio Garcia Murari, da DIG, se limitou a informar que até o momento a polícia não tem a motivação do crime.
 
Parte dos moradores daquela região da cidade acredita que o atentado foi uma resposta ao aumento da tarifa do transporte público que entrou em vigor no último dia 10. Há quem creia ter sido uma retaliação pela prisão de dois traficantes no fim semana por parte da Polícia Militar. O 15º Batalhão da PM de Franca, em nota, diz “não descarta nenhuma possibilidade” e que “há um empenho por parte das respectivas companhias territoriais responsáveis pelo policiamento em garantir que os ônibus circulem com segurança.” 

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