A 46ª edição da Francal começa nesta terça-feira, 15, em São Paulo. A feira será uma aposta do setor para tentar recuperar as perdas do primeiro semestre e proporcionar um futuro com mais produção e menos desemprego. Será, também, uma oportunidade para os calçadistas cobrarem os políticos que esperam governar o Estado e o País a partir de janeiro de 2015;
A Francal é uma concorrida vitrine para políticos, principalmente, em anos de eleições. Presidentes, governadores e deputados com mandato eletivo ou em campanha aproveitam a exposição proporcionada pela feira para divulgarem suas imagens e projetos. Este ano, eles devem se preparar para mais ouvir do que falar.
A indústria calçadista brasileira patinou no primeiro semestre. As previsões de vendas para o ano são negativas. O setor esperava fabricar 38,3 milhões de pares em 2014. Com a desaceleração da economia, os cálculos foram refeitos e a produção deverá ser 1,2 milhão de pares menor.
A queda nas vendas fez os pedidos encolherem. O reflexo é sentido no chão das fábricas, onde dezenas de demissões passaram a acontecer, situação incomum nesta época do ano. A Copa do Mundo não favoreceu o consumo de calçados. “Nos últimos nove anos, tivemos um período positivo em termos de emprego e produção. Agora, entramos num período de queda. Estamos vivendo uma crise econômica no País e as empresas de calçados estão sendo seriamente atingidas. Medidas precisam ser tomadas”, afirmou José Carlos Brigagão do Couto, presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca).
Além de medidas a curto prazo para aquecer a economia e incentivar a compra de calçados, os empresários calçadistas vão pedir aos futuros governantes que tirem as promessas da gaveta e que façam as reformas tributária e trabalhista. “A burocracia e os impostos são muito elevados e encarecem nossos custos. Se as autoridades tiverem coragem de ir na Francal, vamos mostrar as necessidades de fazer as mudanças”, completou Brigagão.
Heitor Klein, presidente da Abicalçados, entidade que representa as indústrias de calçados do Brasil, espera que o próximo governo dê continuidade aos processos de desoneração iniciados, ainda que de maneira tímida, em 2011. “A manutenção e ampliação de programas de financiamento, como o PSI, e de restituição de resíduos tributários, como o Reintegra, que agora possui uma alíquota menor, também são pleitos importantes e que a Abicalçados levará ao governo federal”.
Outro ponto reivindicado pela entidade é a afirmação de uma política de defesa comercial que efetivamente proteja as produtoras nacionais das importações predatórias praticantes de dumping. “Neste sentido estamos trabalhando para a extensão da tarifa antidumping contra o calçado chinês por mais 5 anos a partir de março de 2015. Enfim, esperamos que o próximo mandatário assuma compromissos com o desenvolvimento industrial brasileiro, com a diminuição do custo Brasil de uma maneira ampla e sustentada”, finalizou Heitor Klein.
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