Limpeza geral e profunda


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As grandes manifestações de um ano atrás, que sacudiram o País e colocaram a classe política brasileira em polvorosa, aparentemente não foram suficientes para mostrar que os brasileiros anseiam novos rumos e uma nova forma de fazer política. É histórico: os entes políticos brasileiros sempre confundiram o público com o privado, utilizando recursos e bens públicos como se fossem proprietários deles. E por séculos o brasileiro parecia não entender que verbas e recursos públicos são de todos, uma vez que provêm dos impostos, taxas e tributos pagos pelo contribuinte. Então, aplicá-los corretamente, em benefício da população, não é um favor; antes, é obrigação.
 
Mesmo depois dos protestos, com aquele mar de gente exigindo mudanças e tomando conta de nossas ruas — inclusive em Franca —, tudo voltou à “normalidade”: nada foi feito e a utilização da res publica em benefício dos legisladores eleitos para nos defenderem continuou, sem que haja algum vislumbre de seriedade que dê alento ao brasileiro. Há exceções, claro. Mas, infelizmente, trata-se de uma minoria que se sente tolhida diante de uma maioria que deveria ser defenestrada da vida política nacional.
 
Aqui em Franca vimos ontem pelas páginas deste jornal, uma amostra do tipo de fazer política que não cabe mais nos dias atuais. Trata-se do episódio protagonizado pelo vereador e candidato a deputado estadual por Franca, Miguel Laércio Mathias, o Laercinho (PP), bastante conhecido pelo modo excêntrico de se vestir. Agora, exposto em vídeo gravado por uma testemunha, demonstra que se serve da cadeira que conseguiu mediante voto popular para resolver seus próprios negócios. Conforme o Comércio divulgou em sua edição deste sábado, 12, Laercinho foi flagrado oferecendo dinheiro, vaca e até mudas de eucalipto da Prefeitura para que o dono de um sítio às margens da Estrada Rural “Manuel Mathias” (pai do vereador), no Paiolzinho, não criasse problemas pelo fato de suas terras terem sido invadidas pela Prefeitura de Franca, que está fazendo o alargamento da via. 
 
Trata-se de uma situação que expõe de vez a maneira antiga de se fazer política, o tal do toma-lá-dá-cá que não pode mais ser suportado. Aliás, Laercinho é uma figura ímpar no legislativo francano: adesista de primeira hora, busca se aproximar do ocupante do Executivo municipal, seja de qual partido for. Ao buscar vantagens, demonstra claramente que não está muito preocupado com a comunidade. O episódio envolvendo o vereador é uma triste realidade que se repete Brasil afora, causando prejuízos a comunidades que se ressentem de benefícios no que diz respeito aos serviços prestados pela administração pública, em todas as três esferas (federal, estadual e municipal). Sorte que contra elementos como ele, existe uma arma poderosa, capaz de tolher seus atos condenáveis: o voto. Que deve ser usado com mais responsabilidade e não em troca de caminhões de terra, mudas de eucalipto ou jogos de camisas de futebol. Neste ano teremos uma grande chance. Esperamos que em outubro o eleitor brasileiro reconheça a sua importância e comece a fazer a limpeza que a maioria de nós almeja.
 
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