Saúde pública exige cuidado


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Desta vez, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) não tem mais justificativas: levantamento do CFM (Conselho Federal de Medicina) em parceria com a ONG (Organização Não Governamental) Contas Abertas aponta Franca como cidade onde se registra um dos piores investimentos na saúde pública do Estado de São Paulo. A cada dia, nosso município gasta R$ 1,17 por habitante (equivalente a R$ 427 por habitante/ano). Assim, torna-se a 4ª pior cidade em investimentos na saúde. Uma posição nada honrosa para um município de 300 mil habitantes dentre os 20 maiores do Estado de São Paulo. Para se ter uma ideia do tamanho da encrenca, o gasto de Franca não chega nem à metade do gasto do município que lidera o ranking, São Bernardo do Campo, que gasta R$ 2,71 por habitante/dia. Só ficamos à frente de São Vicente, Bauru e Carapicuíba.
 
A Prefeitura Municipal garante que gasta até mais do que é obrigada por lei. Mas esta justificativa nada diz a quem sente na pele as deficiências do modelo francano de gestão na saúde. Há que se lembrar, neste contexto, que muito dinheiro sai dos cofres da municipalidade para pagar prédio desnecessário ou então contratar auditoria para embasar a decisão de aumentar a passagem de ônibus. Não seria mais decente empregá-lo para melhorar o atendimento médico? O francano tem consciência de que na última década a tabela do SUS (Sistema Único de Saúde) está congelada, pagando R$ 10 por consulta e valores bem abaixo para os demais procedimentos. Quem sofre com isso são as cidades. Mas em alguns municípios, onde o interesse pelo bem estar da população é maior do que aqui, buscam-se soluções para que a saúde não seja prejudicada. Em Franca não se veem sequer tentativas de melhora.
 
A maior parte dos francanos depende dos prontos-socorros, ambulatórios e hospitais públicos. Nem todos podem pagar por um convênio médico. A fórmula do governo federal é sempre a mesma: criação de taxas ou impostos para financiar um setor que já sofre com os desvios e a corrupção que tem se tornado endêmica em nosso País.
 
Por isso, os Estados e os municípios assumem cada vez mais atribuições que deveriam ser do governo federal. A maioria consegue. Em Franca é diferente. A Prefeitura deixa como está e não se mexe. Prefere apostar num plano natimorto de ‘compra’ de procedimento, norteando-se pelos dos valores defasados do SUS para oferecer aos profissionais pagamento considerado aviltante. Com certeza, não terá grande retorno. Prefere gastar em outros setores que não são tão sensíveis aos anseios da população. Aposta no duvidoso e nem tenta encontrar uma solução mais efetiva. É dever da administração municipal suprir as deficiências que o Estado não contempla. Essa é a razão da existência do município: descentralizar as decisões e aplicar a verba pública localmente, onde ela seja mais necessária. Por isso, todo chefe do Executivo, realmente preocupado com a qualidade de vida dos munícipes, precisa encontrar formas de reduzir os gastos correntes (principalmente com cargos comissionados) e direcionar seus esforços para devolver ao contribuinte o que ele paga em forma serviços de qualidade. Principalmente no âmbito da saúde.
 
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