Amigas, desfrutaram de saudável infância tendo como cenário a Saldanha Marinho e imediações. As mães – Clara e Elza - inseparáveis. Faziam bolos, doces, preparavam festas, natais, costuravam para as meninas, bordavam, planejavam lanches para os meninos e colegas da vizinhança. Uma delas trabalhava mais para reforçar o curtíssimo orçamento doméstico: o marido fazia dupla jornada, com vista em futuro mais promissor para os filhos - quatro, antes de saírem da Vila Flores para outro bairro. Depois que os familiares desmaiavam de cansaço, as mães se sentavam no alpendre da casa de Elza, apagavam as luzes, conversavam horas. Trocavam confidências, contavam casos, falavam do casal de filhos de Elza e dos filhos de Clara, avaliavam suas vidas, reclamavam dos maridos e da vida? Lamentavam alguma coisa? Quem sabe? Crescidos, os filhos de Elza permaneceram na cidade natal; dos de Clara, apenas dois. Uma descendente de Clara ainda é amiga dos filhos de Elza. Convivem, eventualmente choram de saudades, não se sentam nos alpendres para conversar, o que lamentam. Da infância guardam boas lembranças e, pelo visto, ainda se mostram ases na confecção e no levantamento de pipas.
(Lúcia H. M. Brigagão)
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