Kamikase


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Não amarrou os sapatos
Ao sair
Deixou a porta sem trava
A lixeira espalhada
Aspirinas no vaso
O gás ligado.
 
Atravessou no vermelho para pedestres
Acendeu um cigarro
De forma vergonhosa, meteu a mão no rabo de um travesti
(Levou um soco, bem feito!)
Arrumou confusão com o guarda municipal.
 
Foi ao banco e autosaqueou-se, coisa que nunca fez
Transou (des) protegido com uma ilustre (des)conhecida
Comeu fruta do conde pra confirmar
O gosto de gilete na boca
 
O estômago embrulhou, ar rarefeito, São Paulo buzina suas mesquinharias, 
Cebolas dançam diante de uma cabeça bem confusa.
Cebolas fedem. E cabeças confusas não são realmente muito limpas.
 
Nada disso foi suficiente
O dia ainda não era dia
Era preciso mais, mas ele nem sabia por quê.
 
Seguiu pelo meio fio enquanto 
ameaçava a todos 
Com aquele sorriso pardo.
 
 
Claudia Filipin Gea, Leitora

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