‘Hexalema’


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Lembrei-me do ministro Roberto Campos, diplomata, economista e político, que costumava dizer, ao examinar agruras da economia, que estávamos diante de um ‘pentalema’ e não de um dilema entre desenvolvimento e inflação. Segundo dicionários, é o raciocínio de premissas alternativas, contraditórias e mutuamente excludentes, mas que fundamentam a mesma conclusão. Voltamos no tempo. A economia brasileira está hoje frente a um ‘hexalema’. Para crescer, precisa superar problemas de infraestrutura, tributação, contas públicas, intervenções governamentais problemáticas, insegurança para investir e o conhecido custo Brasil.
 
O PIB tem crescido pouco ou quase nada, média de 2% nos últimos três anos. Emergentes cresceram entre 4 e 6%. O medíocre desempenho da economia está vinculado àqueles seis conjuntos de problemas. Por outro lado, deixamos de lado o desenvolvimento e nos preocupamos com o curto prazo, quando a política econômica acaba centrando-se em apenas três pontos: metas de inflação, obtenção do superávit primário e câmbio, escolhendo-se o consumo como fator dinâmico da economia — que se esgotou sem produzir os efeitos esperados, e acabou gerando endividamento e inadimplência.
 
Ao dar preferência para o consumo, deixou-se de privilegiar investimento na infraestrutura. Pior para nós. A tributação, além de excessiva, é irracional, sem perspectivas de reforma para modernizar e torná-la justa. As contas públicas se perdem no volume das despesas correntes, sobretudo com pessoal, e precisa de artifícios criativos para produzir o almejado superávit primário. Com isso, sobra pouco para investimentos. Quanto a desonerações fiscais, (incentivos para indústrias automobilística e moveleira a exemplo) foram e mal dirigidas. Tudo deságua no ‘custo Brasil’ que onera a todos, inclusive, negócios com o exterior. Para superar, é preciso espírito público e competência.
 
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA-USP

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