Seleção massacrada


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Nunca se viu, em toda a história do futebol brasileiro, uma decepção e humilhação tão grandes envolvendo a Seleção canarinho como a da tarde de ontem. Os torcedores que foram ao Mineirão, nesta terça, em Belo Horizonte, viram um espetáculo deprimente do time brasileiro. Nem a seleção de 1990 ou a de 2010 chegaram tão ao fundo do poço como agora. Apenas um time jogou e mereceu ganhar pelos 7 a 1 que o placar do estádio registrou. Do Brasil, viu-se um time medíocre, com jogadores abaixo da média para uma seleção — com poucas e honrosas exceções — e um esquema tático inexistente.
 
Quando estreou na Copa do Mundo em nosso País, o time mostrou problemas e seguiu até a fase semifinal, ontem, aos trancos e barrancos. Ao perder Neymar, o único jogador acima da média no time montado pelo técnico Luís Felipe Scolari — que não tinha qualquer plano B para suprir a falta do atacante do Barcelona —, a seleção brasileira se tornou uma equipe comum, sem destaques e sem qualquer possibilidade de brilhar. Mostrava-se muito distante daquela que ganhou com destaque a Copa das Confederações, dois anos atrás. O treinador não conseguiu formar uma equipe: até o gol de honra de Oscar saiu de um longo lançamento que o meia armador soube aproveitar.
 
A ilusão de que a seleção brasileira estaria na final da Copa no Maracanã nublou a percepção de quase 200 milhões de brasileiros, Felipão e seus comandados à frente, que não encararam a realidade diante das dificuldades enfrentadas em cada partida. Sem Neymar, viramos um time comum, expondo falhas que a Alemanha soube bem aproveitar, fazendo cinco gols ainda no primeiro tempo. Que esta derrota vergonhosa sirva de lição a dirigentes, treinadores e jogadores brasileiros para a realidade do nosso futebol.
 
O “Maracanazo” de 1950 assombrou o Brasil; o “Mineirazo” de ontem serviu para que o País abrisse os olhos e visse o futebol de quinta, pra não dizer de várzea, que a seleção exibiu nos jogos da Copa. Embora a maioria dos jogadores que estavam ontem em campo defendam times de outros países, torna-se evidente que o futebol brasileiro necessita de profunda reformulação, partindo da sua base e chegando a Federações estaduais e à CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Ao contrário da Alemanha, que leva o futebol a sério e há 14 anos realizou uma profunda mudança, criando centros de excelência para a formação de jogadores.
 
Levada amadoristicamente, toda a cadeia de comando (principalmente nos clubes e federações)no Brasil precisa se conscientizar da extrema necessidade de mudar tudo. Temos milhares de jogadores profissionais espalhados pelo País e pelo mundo, mas não há qualquer iniciativa que busque a formação de jovens atletas. Treinadores não se reciclam, não procuram se informar e o resultado explode na principal equipe do País, a nossa seleção. Muita gente lembrou a Copa de 1962, quando perdemos Pelé, mas fomos campeões: porém, ali tínhamos Garrincha e outros craques que conseguiram o título. Que esta derrota terrível nos sirva de exemplo para que busquemos mudanças que façam o futebol brasileiro outra vez protagonista no mundo.
 
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