Por causa do feriado, a coluna sobre política, excepcionalmente, foi antecipada para hoje. Obrigado a Denílson Carvalho pela compreensão. Na próxima quarta-feira, ele voltará a escrever sobre os direitos do consumidor neste espaço. Falando em consumidor, incrível como o prefeito gosta de agir na surdina quando o tema em pauta é a empresa São José. Abril de 2013. Em sala da Prefeitura próximo ao gabinete, Alexandre (PSDB) se reuniu com o dono da empresa e assinou novo contrato “na moita”, fazendo concessões e perdoando multas que deveriam ter sido aplicadas. CEI aberta pela Câmara acusou o prefeito de “omissão, favorecimento e crime contra a lei de licitações”.
O modus operandi se repetiu agora, um ano e três meses depois. Tarde de sexta-feira, 4 de julho, dia de jogo decisivo do Brasil na Copa do Mundo. Os jogadores da seleção se aqueciam na arena “Mané Garrincha”, em Brasília. Repartições públicas, lojas, fábricas e escritórios tinham encerrado o expediente mais cedo. Milhares de carros, motos e bicicletas cruzavam as ruas e avenidas de Franca. Todo mundo corria para casa com a camisa amarela no peito e a bandeira tremulando. Todo mundo, não.
Um assessor de Alexandre ficou para trás, em sala da quase deserta Prefeitura, com uma missão especial. Enquanto o Brasil e parte do mundo estavam voltados para a TV, o funcionário que ocupa cargo em comissão apertou a tecla “enviar” de algum computador do setor de comunicação e mandou texto para rádios e jornais. Faltava uma hora para o jogo começar. Foi assim, na calada de uma tarde com o Brasil em campo que o prefeito aproveitou a dispersão das pessoas para avisar que aumentaria o preço da passagem dos ônibus para R$ 3,10. Surdina maior, impossível.O aumento começa a vigorar nesta quinta-feira, um dia após o feriado de 9 de Julho. O prefeito e seu amigo, dono da São José -mesmo após os 7 a 1 - devem estar sorrindo. Nós, os trouxas, vamos pagar a conta.
Amigo dos amigos: No dia 1º de julho, Jépy Pereira (PSDB) exonerou o motorista Antônio dos Reis Inocêncio, chefe de setor de logística da Câmara. O cargo era contestado na Justiça por uma ação de inconstitucionalidade proposta pela Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo. Mas, o prefeito deu um jeitinho. No mesmo dia, por meio de decreto assinado por Alexandre Ferreira, o cargo em comissão de “Chefe do Setor de Apoio aos Conselhos Municipais da Prefeitura” passou a se denominar “Chefe do Setor de Transportes, vinculado ao Fundo Social de Solidariedade”, que é comandado pela mulher do prefeito. Antônio Inocêncio foi nomeado para o cargo.
Procedência paraguaia: Vereadores estão fazendo propaganda em redes sociais e outdoors agradecendo a população por terem sido escolhidos como os mais atuantes da Câmara. A credibilidade é a mesma de nota de R$ 3. A pesquisa foi feita pelo mesmo instituto que vendeu homenagens a três vereadores em 2013. O episódio ficou conhecido como a “farra das medalhas”, e forçou os “premiados” a devolverem dinheiro público usado na brincadeira.
Fuso horário: Quando Marco Garcia (PPS), líder do governo, chegou à Câmara na segunda-feira, a primeira parte da sessão estava quase acabando, e a prorrogação da CEI da Saúde que o prefeito pretendia barrar, já havia sido aprovada. Garcia disse que não sabia que a reunião havia sido antecipada em um dia por conta do jogo do Brasil. A mudança foi aprovada por eles mesmos.
Ajuda aí, Xandão! A campanha nem bem começou e tem candidato ficando na estrada. Laercinho foi flagrado com o carro parado na rodovia por falta de combustível.
Edson Arantes
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br
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