Os cerca de 700 soldados voluntários francanos, que lutaram na Revolução Constitucionalista de 1932, serão homenageados neste 9 de julho, quando se comemora os 82 anos da revolta do Estado de São Paulo contra o governo de Getúlio Vargas. O evento, que começa às 9 da manhã, será realizado nas proximidades do Monumento ao Soldado Constitucionalista, que fica no calçadão da rua Voluntários da Franca, cujo nome também homenageia os ex-combatentes. Autoridades da cidade e familiares dos soldados participarão da cerimônia que contará com coroa de flores simbólica e salva de tiros em homenagem aos nove combatentes francanos que morreram em batalha.
“Teremos um discurso contando um pouco da história da Revolução de 1932 e sobre a participação dos francanos. Depois, haverá a escolta das bandeiras Nacional, do Estado e de Franca pelo Tiro de Guerra, Polícia Militar e Guarda Civil, além da salva de tiros e apresentação da coroa de flores, que será levada para o túmulo que fica no cemitério da Saudade e homenageia os soldados mortos”, disse o escriturário do Museu Municipal, Bruno Costa de Faria.
A banda da Associação Banda Musical ficará por conta da execução do Hino Nacional. A previsão é que a homenagem aos voluntários da Franca dure cerca de 40 minutos.
“Convidamos mais de 70 famílias de soldados francanos que participaram da Revolução para estarem no evento. Esperamos um grande número de participantes, mais de 100 pessoas, que geralmente lotam a praça ao redor do Monumento ao Soldado”, disse a historiadora e diretora do Museu, Margarida Borges Pansani.
História
Em 1930 o ex-presidente Getúlio Vargas deu um golpe de Estado que impediu que o presidente eleito na época, Júlio Prestes, assumisse o cargo, o que colocou um fim na chamada República Velha. Vargas assumiu o poder com a promessa de criar um nova constituição para o Brasil.
Em maio de 1932, revoltados com a demora de Getúlio com a elaboração da nova Constituição, paulistanos realizaram um comício na capital do Estado, que acabou em conflito e morte de quatro estudantes. Suas iniciais, MMDC, se transformou no símbolo dos revolucionários.
O fato foi o início da revolta paulista contra um governo ditatorial. Todo o Estado de São Paulo passou a se mobilizar para exigir do governo novas leis e no começo de julho a Revolução teve início.
Franca não ficou de fora. A Liga Constitucionalista foi montada na cidade no intuito de alistar voluntários e angariar fundos para o movimento. Cerca de 700 soldados foram aos campos de batalha e diversas outras famílias da cidade doaram dinheiro, joias, animais e roupas aos voluntários. “O movimento em Franca foi muito forte, muitos voluntários aderiram e também tiveram batalhas aqui nas redondezas, porque Franca fica bem na fronteira com Minas”, contou Pansani.
Nove combatentes francanos morreram durante as batalhas. Seus nomes são lembrados por obras na cidade como a sepultura simbólica que os homenageia no Cemitério da Saudade e o Monumento ao Soldado Constitucionalista, no Centro.
Apesar de ter perdido a guerra, que durou três meses, São Paulo teve seu pedido de uma nova Constituição atendido, com a criação da Assembleia Nacional Constituinte, em 1933, e a promulgação da nova Constituição em 1934.
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