Por Robson Morelli
Na principal rua de acesso à Granja Comary em Teresópolis, em frente a um restaurante, há a figura imponente de Hulk, todo verde, calca rasgada e camisa da seleção brasileira. Não há um só torcedor ou morador da cidade que passe indiferente pelo grandalhão. Virou atração turística, da mesma forma que o jogador chama a atenção dos torcedores na Copa do Mundo. Hulk é um dos mais ovacionados nas apresentações dos times nos estádios. Perde em carisma apenas para Neymar e David Luiz, e também para Felipão.
Sem Neymar, nosso super-herói brasileiro de carne e osso, o Brasil precisa muito de Hulk. O apelo é para que ele "desencante" nesta Copa e balance as redes, já que tem feito boas apresentações, tanto com seu envolvimento defensivo e tático quanto nas jogadas que limpa para chutar. O que falta é acertar o gol.
Contra Chile e Colômbia, Hulk abriu espaço entre os marcadores. Teve boa movimentação, mas também tirou o torcedor do sério com arremates quase sempre tortos para fora, quando não nas mãos dos goleiros rivais. Com a ausência de Neymar e com Fred passivo entre os marcadores, ele se torna a maior esperança de Felipão para "agredir" os alemães na semifinal desta terça-feira.
Ele terá outra função nesse jogo de semifinal em Belo Horizonte. Terá mais liberdade para atacar, porque a defesa brasileira deverá contar com maior cobertura, caso o treinador confirme o time com três volantes: Luiz Gustavo, Fernandinho e Paulinho. Assim, poderá atacar sem se preocupar, como vinha fazendo até então, em voltar rapidamente para recompor e fechar o setor direito.
Hulk participou de quatro das cinco partidas do Brasil na Copa. Não enfrentou o México por sentir uma fisgada na coxa esquerda. Pelas estatísticas da Fifa, tem dez jogadas individuais até a área. E já deu 14 chutes a gol, mesmo número do alemão Thomas Müller, que marcou quatro gols na competição - essa é a diferença entre os dois, já que o atacante brasileiro só acertou a rede pelo lado de fora. Comparado ao grandalhão da Alemanha, Hulk roubou o mesmo número de bolas, sete, e corre no mesmo passo que o oponente, a uma velocidade de 19,2 km/h.
As semelhanças, no entanto, param por aí. Müller tem se insinuado mais perigoso que o fortão "verde" de Teresópolis e do Brasil, embora também se preocupe menos em ajudar na marcação do time do técnico Joachim Löw.
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