A violência mata quase 30 jovens por ano em Franca. Sejam assassinadas ou vítimas de acidentes de trânsito, 143 pessoas com idades entre 15 e 29 anos morreram no município entre 2008 e 2012. Os dados são do estudo Mapa da Violência 2014. Os Jovens do Brasil, realizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais e divulgado na semana passada. Apesar de os números apresentarem uma tendência de queda nos últimos anos, as autoridades os classificam como preocupantes.
Baseado no SIM (Sistema de Informações de Mortalidade) e em outros dados do Ministério da Saúde, o levantamento aponta que Franca registrou 38 assassinatos de jovens entre 2008 e 2012 - último ano de referência utilizado na pesquisa. De acordo com o Mapa, em 2009 foram registradas 12 homicídios, o maior número no período do estudo. Em 2012, este número caiu para 5 casos. Entre as vítimas daquele ano, estão Tiago de Oliveira Vilas Boas, 22, morto a facadas no Jardim Luiza, em janeiro; Fernando Carvalho Martines Santos, 20, que morreu com um tiro na cabeça no Jardim Guanabara, em abril; e Adriele Batista Souza, 17, encontrada morta em terreno no Jardim Integração, em outubro.
De acordo com o delegado assistente da Seccional, Vanir José da Silveira, os dados da pesquisa, mesmo em queda, estão longe do ideal. “Estamos trabalhando para que esses números de homicídios diminuam, não só nessa faixa etária, mas também no geral”, afirmou o delegado. “Mas não depende só da polícia, pois o crime de homicídio é de difícil prevenção”, ressaltou.
Trânsito mata mais
Em comparação com os homicídios, as ocorrências de mortes de jovens em acidentes foram muito maiores: um total de 105 no período do estudo. A mortalidade no trânsito representa 73,4% do total de vítimas da violência em Franca com até 29 anos no período pesquisado.
Mas, assim como no caso dos assassinatos, o número de mortes de jovens no trânsito também apresentou uma queda (veja quadro nesta página). Para o secretário municipal de Segurança e Cidadania, Sérgio Buranelli, essa diminuição é resultado de um trabalho, em longo prazo, de prevenção. “Nesses últimos anos, os jovens foram entendendo que dentro da cidade não é o local de fazer rachar.”
Buranelli acredita que as campanhas de conscientização ajudam a mudar a mentalidade dos jovens com respeito ao trânsito e, assim, contribuem para a diminuição de acidentes. “Fizemos alguns simulados para testar atendimento a vítimas fatais e outras com ferimentos gravíssimos, por volta de 11 horas da manhã, e colocamos uma lona para ninguém ver. Mesmo assim, quem passava por lá sentia curiosidade em saber do que se tratava. E o interessante é que, naqueles dias, nenhum acidente grave teve em Franca”, revelou.
Brasil
Em 2012, 112.709 pessoas morreram em situações de violência no país, segundo o Mapa 2014. O número equivale a 58,1 habitantes a cada grupo de 100 mil, e é o maior da série histórica do estudo. Desse total, 56.337 foram vítimas de homicídio, 46.051, de acidentes de transporte, e 10.321, de suicídios.
Entre 2002 e 2012, o total de homicídios passou de 49.695 para 56.337, também o maior número registrado. Os jovens foram as vítimas em 53,4% dos casos, o que mostra outra tendência diagnosticada pelo estudo: a maior vitimização de pessoas com idade entre 15 e 29 anos.
No país, ao contrário de Franca, as mortes no trânsito cresceram. Ao todo, foram registradas 46.051 mortes por acidentes de transporte em 2012, 2,4% a mais que em 2011. “Em que pese as tentativas de conter a crescente violência, as estatísticas da última década têm feito ingressar o Brasil no nada recomendável grupo de países do mundo de elevado número de acidentes e de mortalidade em suas vias públicas: quarto lugar entre 101 países na população total; sétimo na população jovem”, destaca o estudo.

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