O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) não pode mais ser considerado um ‘novato’. Mas, ano e meio após a sua posse, continua liderando uma administração que demonstra claramente estar dissociada da realidade do município pelo qual foi eleito para dirigir. Teimoso e confuso, o chefe do Executivo francano não sabe ouvir os clamores da comunidade e muito menos delegar responsabilidades: acha que se basta e só escuta opiniões diversas do que a cidade quer -- e necessita. Alexandre se considera persistente, confundindo essa virtude com a sua já conhecida teimosia. E por isso Franca vem sofrendo nos últimos dezoito meses com uma administração que se candidata a uma das piores da história francana.
A série de medidas que haviam sido anunciadas para melhorar a saúde pública no município, esmiuçada, mostra que a situação não será resolvida. Afinal, a Secretaria de Saúde pretende usar a tabela do SUS (Sistema Único de Saúde) para ‘comprar’ procedimentos médicos. Com isso, dificilmente vai encontrar profissionais dispostos a receberem R$ 10 por uma consulta que chega aos R$ 120 cobrados de pacientes particulares. E no rol de situações esdrúxulas patrocinadas pelo prefeito tucano, o Comércio publicou em sua edição de sábado, 5, que Franca ainda vai continuar sonhando com o restaurante Bom Prato, uma iniciativa do governo do Estado que oferece refeições de boa qualidade a R$ 1 e café da manhã a R$ 0,50.
Acontece que a Prefeitura já apresentou cinco locais que poderiam ser utilizados para a instalação do restaurante à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social, responsável pelo programa e, até agora, nenhum foi aprovado pela inadequação do prédio à destinação final. Com isso, o Bom Prato, cujos prognósticos iniciais previam seu funcionamento ainda neste ano, ainda não tem data para começar a funcionar por aqui. A cada dia, 1.200 francanos de baixo poder aquisitivo deixarão de receber um benefício que já chegou ao interior, funcionando a pleno vapor em cidades como Campinas, Jundiaí, Marília, Ribeirão Preto, São José dos Campos, São José do Rio Preto, Sorocaba e Taubaté, entre várias outras.
Se revelou uma disposição incomum para adquirir um prédio de mais de R$ 3 milhões para estocar merenda escolar (quando já existia um local para esta finalidade), Alexandre Ferreira não mostrou o mesmo empenho agora, em relação a uma iniciativa que irá beneficiar os trabalhadores de baixa renda. É um verdadeiro contrassenso com uma cidade onde o número expressivo de assalariados poderia ser grandemente beneficiado. Ainda mais agora que a tarifa do transporte coletivo (que conta atualmente com 70 mil usuários diariamente) recebeu um reajuste e passa a custar R$ 3,10 a partir do próximo dia 10. Um gestor público realmente interessado em resolver os problemas da comunidade que o elegeu não pensaria duas vezes em concentrar seus esforços para resolver a questão em pouco tempo. Mais uma vez o prefeito deixa claro que seus eleitores não são sua prioridade. Do contrário, já teria resolvido mais esta questão.
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