Campanha quer brecar votos em forasteiros


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José Alexandre Carmo Jorge, presidente da Acif
José Alexandre Carmo Jorge, presidente da Acif
A corrida eleitoral começou. Também começará a temporada de visitas à cidade de candidatos para-quedistas. Aqueles que só aparecem de quatro em quatro anos. Nas eleições de 2010, 606 nomes diferentes receberam votos em Franca. Foram exportados 50,6 mil votos para federais e 33,6 mil para estaduais. O caso mais famoso é o de Tiririca (PR) que foi o preferido de 5,2 mil eleitores francanos. Entidades representativas se uniram para tentar evitar que o cenário volte a se repetir e vão lançar uma campanha, nesta segunda-feira, para conscientizar a população sobre a importância de se votar em candidatos locais. 
 
Denominada Voto Nosso, a iniciativa promovida pela Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) chega à sua quarta edição. 
 
Este ano, a campanha terá a importância ampliada devido ao risco da cidade perder representatividade por conta do elevado número de candidatos (leia texto abaixo). “Não mediremos esforços para conscientizar os eleitores da necessidade de votar em candidatos de Franca”, disse José Alexandre, presidente da Acif. A entidade ganhou o apoio da OAB, Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados), Assescofran (Associação das Empresas de Serviços Contábeis) e Cocapec.
 
Os detalhes da ação serão divulgados nesta segunda-feira. A Acif pretende investir R$ 60 mil na campanha, que consistirá em anúncios nos jornais, rádios, outdoors, distribuição de panfletos com mensagens reforçando a importância do voto caseiro e circulação de uma revista especial do Voto Nosso. Será realizada uma pesquisa com intenção de votos para indicar aos eleitores quem tem mais chance de ganhar. Os candidatos irão se reunir com empresários para apresentar propostas e ouvir reivindicações.
 
A Acif estabeleceu a meta otimista de trabalhar para eleger dois deputados federais e três estaduais. Para isto, tentará incentivar o eleitor a exercer o seu papel de cidadão e votar, diminuindo a abstenção. O segundo passo será dizer não aos forasteiros. “Os candidatos da cidade que levarão nossos pedidos aos governos estadual e federal. Franca não pode ficar sem voz”, disse José Alexandre.
 
Ivan da Cunha, presidente da OAB, disse que o órgão se orgulha de participar da campanha e que também atuará para promover o voto caseiro. “Franca precisa melhorar sua representatividade. Temos que ser inteligentes e formar a maior bancada possível.”
 
Opinião divergente
A campanha não é consenso. O PT é declaradamente contra a iniciativa. “Primeiro, porque a eleição não é municipal, é estadual. Segundo, porque tem crime na proposta. Os organizadores não podem indicar em quem votar”, disse Marcial Inácio, presidente do diretório. Para ele, o ideal seria incentivar o eleitor a não se abster e não votar em branco. “Não podemos ter uma visão de currutela e colocar uma porteira imaginária na cidade. É preciso considerar a questão partidária. Se a cidade não oferecer alternativa, vamos votar só porque é de Franca? Na atual legislatura, 14 deputados federais mandaram recursos para Franca. Mais nosso deputado.”

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