Desde bem pequena, quando o assunto é gosto ou não gosto, eu ouço minha mãe dizer que detestava berdoega e taioba. Essas palavras, sem cores e formas, nada significavam para mim, pois não as encontrava para poder dar uma cara a elas. O que me ocorria é que elas deveriam ser populares lá pelas bandas de onde minha mãe viera: Ibiraci.
Mas as coisas mudam e muito rapidamente. E é curioso o caso dessas plantas. A beldroega, por exemplo, esse é um dos seus nomes, era classificada como erva-daninha porque nasce espontaneamente, era tida como invasora e prejudicial à horta ou plantação. Coisa do passado. A tal planta deixou de ser considerada erva-daninha para passar a integrar uma nova categoria de vegetais, as PANCS, plantas comestíveis não convencionais. Também reconhece-se hoje a capacidade da beldroega em demonstrar as qualidades do solo em que ela se insere. Ela só nasce em solo de boa qualidade, além disso, é ótima hospedeira de parasitas, livrando as hortaliças e dispensando o envenenamento.
Não só. A nova classe de vegetarianos fizeram-na ressuscitar. Dona de propriedades orgânicas importantes, não é raro encontrá-la na dieta de algumas pessoas. Inclusive, o mais antigo restaurante vegetariano da cidade, Octalina, serve a beldroega no seu buffet de saladas. Embora a sua comercialização seja ainda bastante incipiente.
Mas o mais curioso é que o uso da beldroega advém, no mínimo, do nosso colonizador. Nas minhas pesquisas sobre a planta, descubro, incrédula, que há em Portugal um festival anual da beldroega. O festival já a antevê como planta gourmet e faz um paralelo parecido com o nosso: “De erva da fome à planta gourmet. Certamente a descoberta da comestibilidade dessa erva se deve aos períodos de fome pelos quais passou toda a Europa. Coisa que jamais ocorreu por aqui. Os europeus aprenderam a fazer pão de terra, comer erva e raízes para escapar das fomes cíclicas.
Pois bem, o tal festival, hoje - dias de fartura, mistura-a ao bacalhau, aos azeites de primeira, ao angu, cogumelos... “Mas ninguém duvida de que a necessidade é que fez o engenho”.
A beldroega não amarga, não aperta, não é azeda, tem é gosto de mato mesmo. O mais agradável é a textura crocante - portanto, para quem quiser experimentar, o correto é mesclá-la numa salada com diversas folhas, assim tem-se a nuance desde a maciez de uma alface lisa até a crocância de uma beldroega, por exemplo. Ou, num caldo verde, substituir a couve por ela. É bom aprender a lidar com todo tipo de comida, matos, inclusive, uma boa reversão de valores que faz o engenho adiantar-se à necessidade.
DICA DA SEMANA
Tomates
Os tomates estão bons e com preço excelente, cerca de R$ 2,90 o quilo, o céu, pois, dia desses custavam R$ 7,80! É hora de aproveitar e comprá-los para fazer bons molhos, deixe as latas para o período em que as frutas estiverem caras.
Muito se discute sobre molhos de tomates, quem acha que se deve cozinhá-los por horas e horas jamais vai aceitar que se possa fazer bom molho rapidamente. Mas a verdade é que depende do que se quer...
Por isso minha dica hoje vai mais para aqueles que começaram a cozinhar e portanto tem menos preconceitos.
É um molho de tomate cru! Peça pelo tomate da qualidade rasteiro, bem maduro. Ponha a água ferver. Faça um X raso na ponta de cada tomate. Quando a água ferver mergulhe os tomates nela, espere um pouco, você verá a pele se levantar, então retire-os e mergulhe-os em água fria. Retire a pele e a semente, se achar conveniente. Pique os tomates, tempere com sal, pimenta do reino moída na hora, vinagre, alho e salsinha e cebolinha finamente cortadas e muito azeite e manjericão.
Use para temperar uma massa fria ou acompanhar um pão.
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