Uma participante do programa ‘Encontro’, apresentado por Fátima Bernardes, na Globo, dia 22 do último abril, fez um relato do qual os presentes acharam muita graça. O tema era a espontaneidade, ou a facilidade do riso. Provocada pela apresentadora, disse ela que, certa feita, numa sessão mediúnica a que compareceu e, diante do que lhe dissera uma frequentadora do centro, e principalmente pelo fato de ser uma risona compulsiva, pôs-se a rir de maneira tão descontrolada que levou o dirigente da sessão a supor que se tratava de incorporação espiritual.
Os participantes do programa acharam muita graça na conclusão absurda do coordenador, mas, ante tal relato público, é preciso que, juntos, consideremos que o lado absurdo do ocorrido está na presença de alguém desconhecedor da Doutrina Espírita em sessão reservada apenas aos respectivos trabalhadores, o que nos leva a crer não tratar-se de um centro espírita kardecista.
Que não se pense que se arroguem melhores do que os outros, mas os participantes de um trabalho mediúnico segundo o Espiritismo de Kardec hão de estar sempre preocupados com a boa moral e a seriedade de suas tarefas como pressupostos das comunicações edificantes.
Vê-se que seriedade e recolhimento são condições dos trabalhos de mediunidade, que têm base n’O livro dos médiuns que, por sua vez, orienta-se pelos ensinamentos de Jesus, igualmente revivescidos no também indispensável O Evangelho segundo o Espiritismo.
De acordo com a Codificação da Doutrina Espírita e tendo em conta que as atividades de tais reuniões são de natureza essencialmente psíquicas, requerem elas conhecimento doutrinário e boa vontade dos membros do grupo para que o respectivo campo vibratório alinhe-se com a realidade espiritual. Antes de tudo isso, a preocupação fundamental de um grupo mediúnico segundo Kardec há de assentar-se nos mais sublimados propósitos e na prática do bem incondicional.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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