Fosse na calada da noite já seria ruim. Mas não. Foi pior. Em meio ao clima da Copa do Mundo, numa sexta-feira em que a maioria dos francanos já havia encerrado seu expediente - até mesmo o do Paço Municipal estava prestes a terminar -, a Prefeitura enviou nota à imprensa anunciando o aumento da passagem do transporte público municipal. A tarifa da São José passa de R$ 2,80 para R$ 3,10 a partir do dia 10, próxima quinta-feira.
O anúncio foi feito faltando uma hora e vinte minutos do início do jogo entre Brasil e Colômbia, pelas quartas de final da Copa do Mundo, dando a impressão de manobra para não despertar a ira da população.
No comunicado, o governo Alexandre Ferreira (PSDB) apresenta sete argumentos para o aumento. O primeiro deles é que o valor está congelado desde o ano passado. A tarifa só não subiu em julho de 2013 por causa dos protestos do mês anterior. Um dos lemas das manifestações que tomaram conta do país era “Não é por 20 centavos”, em alusão ao aumento que a Prefeitura de São Paulo pretendia dar às empresas do transporte metropolitano. Agora, em Franca, o aumento é maior: 30 centavos.
Para tentar convencer a população de que a tarifa em R$ 3,10 não é alta, o município apela ao estudo da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), contratado por ele mesmo - ao custo de R$ 151 mil -, que sugeriu que o preço ideal era de R$ 3,72. “A Prefeitura optou por preservar o usuário do sistema de transporte coletivo”, diz a nota à imprensa.
Mais uma vez, como fez nos panfletos distribuídos aos usuários do transporte coletivo na semana passada, o governo Alexandre Ferreira recorre ao estudo pago pela Prefeitura para apontar as gratuidades como a única vilã do alto preço da tarifa. “Apesar de o estudo da Fipe apontar que o alto número de ‘gratuidades’ pesa no valor final da tarifa, a Prefeitura respeita o direito adquirido dos usuários com gratuidades e garante que os benefícios continuam valendo, normalmente.”
Mais uma vez, como fez nos panfletos, omite outros fatores apontados pelo coordenador de pesquisas da Fipe, Rodrigo De Losso. “As causas (do desequilíbrio econômico-financeiro da São José) são o excesso de gratuidades, serviços adicionais prestados e que não estavam previstos em contrato, como operação e manutenção de terminais e pontos de ônibus e vans adaptadas, e o reajuste que não foi concedido no ano passado”, disse De Losso, em entrevista há duas semanas.
A Prefeitura ainda relembra as melhorias implantadas pela São José no ano passado - linhas intrabairros e monitoramento por GPS - como se fossem novidades, mas que, na verdade, estavam previstas para acontecer quando o contrato foi assinado, em 2009, ou um ano depois.
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