Você sabe para onde vai o dinheiro de multas aplicadas a quem não aparece para votar nas eleições , seja por ‘protesto contra partidos e políticos’, ou por que ‘não gosta de política’, ou, ainda,’porque ninguém me obriga a nada? Vai para o Fundo Partidário, e é dividido entre os partidos políticos deste país! Contei sábado passado. Quem leu, pediu para que eu repetisse, e com destaque. Já que agora você sabe que deixar de votar para protestar é burrice, faça diferença. Assunto puxa outro. O cipoal de leis esdrúxulas que cresce está institucionalizando algo que parece orquestrado: corroer, cada vez mais, jovens e adolescentes. Eu soube esta semana que instituições que cuidam de adolescentes não infratores, mas vitimizados por famílias esfaceladas, terão que se adaptar, proximamente, a deixar de praticar o conceito de ‘aldeias’ (casas em um mesmo local destinadas a acolher vitimizados endereçados pela justiça), e ocuparem casas comuns, em meio às cidades, com todos os riscos que possam decorrer. É só questão de tempo. Juizes, obrigados a fazer cumprir as leis, se cobram interiormente, mas continuam fazendo cumprir as leis.
AQUI EM FRANCA: Crianças e adolescentes vitimizados, retirados do pátrio poder e endereçados a instalações públicas pelo poder judiciário vão, ou para o Recanto Aconchego (se têm entre 12 e 18 anos, gerido pelo Instituto José Edson de Paula Marques), ou para o Bercário Dona Nina (se têm entre 0 e 12 anos, geridos pelo Instituição Espírita Legionários do Bem). Antes do ECA (o Estatuto da Criança e do Adolescente que nasceu como lei referencial e, por bom tempo, foi parâmetro para outros países; e que hoje, sem atualização ou regulamentação indispensáveis mais dá condições para menores se incentivarem ao crime do que ao bem e ao trabalho) iam para complexo construído pela prefeitura no Jardim Redentor. O local tinha o necessário ao acolhimento: acomodações separadas, salas de fisioterapia, lazer, atendimento pessoal, emergência médica e outras. Terceirizados os gerenciamentos pela prefeitura, o complexo foi dividido por muro — de lá, crianças e as estruturas de apoio que serviam a todos os atendidos, e, de cá, oito casas com adolescentes, mas sem as áreas essenciais de apoio. O complexo, como um todo, não tem recebido nem pintura — que penso, deveria ser agradável, colorida, capaz de tirar das cabeças dos menos avisados a impressão de que deva se parecer com prisão. Uma incrível burocracia emperra o desejo das entidades terceirizadas em melhorar ambas as estruturas.
PONTO FINAL?: Não há palavras fortes o suficiente para descrever o papel das ‘mães sociais’ e nem o de administradores e especialistas do Aconchego. As jornadas são de 24 horas, mesmo que recebam só o que determina a lei. Têm que deixar a vida própria de lado. Percebam: em cada casa, são quatro adolescentes direcionados pela justiça porque tiveram que ser retirados dos pais biológicos por motivos vários: drogas, desajustes sociais, espancamentos constantes e outras mazelas quase sempre descarregadas nos filhos. Pense no perfil de criança/adolescente que não recebeu noções de educação pátria ou exemplos dignos. Pense em sua revolta de saber-se suprimido ‘dos seus’ (ainda que para seu próprio bem). Pense na idade, superior a 12 anos, e na expectativa que possa nutrir em ser adotado. Pense, agora, na ‘mãe social’ que o acolhe, tentando tratá-lo como ‘filho’ pelo tempo necessário ou até que complete 18 anos. Amplie: são cinco pessoas, mãe e quatro ‘filhos’, cada um com suas ansiedades, dificuldades de relacionamento. Você faria? Quem está lá no Aconchego, faz, e se é que é possível, é feliz. Há sorrisos nos rostos e até, esperança. Falta apenas que legisladores deixem de produzir as desgraças que estão tornando tudo pior e injusto; e eleitores ajudarem, escolhendo quem possa fazer diferença.
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
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