Chove pouco na cidade e Franca vive a maior seca dos últimos sete anos


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Pedras à vista no rio Canoas, maior responsável pelo abastecimento de água de Franca e Restinga: situação é preocupante
Pedras à vista no rio Canoas, maior responsável pelo abastecimento de água de Franca e Restinga: situação é preocupante
Nos últimos sete anos, nunca choveu tão pouco em Franca como no primeiro semestre deste ano. De janeiro a junho de 2014, o município registrou apenas 494,9 milímetros de chuva. O volume é menos da metade do registrado no mesmo período do ano passado, quando a precipitação foi de 1.078,3 milímetros. Os dados são do Ciiagro (Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas) e da Defesa Civil do Estado de São Paulo.
 
Os números são preocupantes, já que não há previsão de chuva em volume significativo para os próximos três meses. Não chove em Franca há mais de um mês. A última precipitação foi registrada em 2 de junho. Mesmo assim, em volume muito pequeno: apenas 7,1 milímetros.
 
De acordo com o gerente distrital da Sabesp, Rui Engrácia Garcia Caluz, a situação da vazão dos rios Canoas e Pouso Alegre, responsáveis pelo abastecimento de água em Franca e Restinga, sugere estado de alerta, embora estejam dentro dos níveis de capacidade para suprir a demanda das cidades. “A capacidade do rio Canoas, responsável por 80% do nosso abastecimento, mesmo tendo contado com pouca chuva, se estabilizou entre 1.309 e 1.390 litros por segundo, dependendo da hora do dia. Isso significa que ele trabalha acima da captação necessária para o abastecimento da cidade, que é de 900 litros por segundo.” A média habitual do Canoas em meses de junho é de 2.500 litros por segundo. Atualmente, ele atua com 56% de sua capacidade sazonal.
 
Mesmo com essa margem de mais ou menos 450 litros por segundo a mais na captação atual em relação ao que é necessário, Engrácia garante que a situação exige cuidado, porque a falta de chuva pode provocar a queda no nível dos rios e, consequentemente, na vazão da água. A principal aposta da Sabesp para garantir que a distribuição de água se mantenha estável, caso o Canoas chegue a uma vazão de 800 litros por segundo - o que conferiria estado de racionamento -, são os dois poços perfurados em Restinga em 2011. De acordo com a Sabesp, eles garantem 80 litros por segundo independentemente das condições climáticas. 
 
“Fora isso, temos o Pouso Alegre, que é o rio que mais tem sentido esse período de seca. Mesmo assim, ele tem registrado uma vazão na média de 216 litros por segundo, mas o estamos preservando porque o consumo de água está baixo devido ao inverno”, explicou Engrácia.
 
Para ajudar a evitar o racionamento de água, a comunidade deve gerenciar o consumo de água, como tem feito a dona de casa Maria Aparecida de Souza, que possui uma chácara. “Não tenho me preocupado em preencher o volume da piscina por esses dias e tenho aguado a horta com regador ao invés da mangueira. Assim, posso controlar melhor a quantidade de água que pretendo usar.” 
 
O gerente da Sabesp afirma que pequenos gestos como esses podem, sim, ajudar a evitar uma situação de racionamento. “A população precisa entender que numa situação de estresse hídrico, como a que estamos vivendo este ano, é preciso fazer um uso mais consciente da água. Não podemos varrer calçadas com água da mangueira, além de sermos mais breves no chuveiro e estarmos com as instalações hidráulicas adequadas, sem vazamento.”
 
Saúde
A seca também se reflete na saúde humana. Com a baixa umidade do ar, é comum sentir ardência nos olhos, irritação na garganta, dificuldade para respirar, o nariz pode sangrar, aumenta a predisposição a reações alérgicas e cresce a incidência de pessoas que desenvolvem asma e crise de bronquite alérgica.
 
As dicas para evitar esses males são diminuir atividades ao ar livre, beber bastante líquido, umidificar ambientes com toalhas molhadas na janela ou bacias com água e evitar lugares com ar condicionado, exposição ao sol entre as 10 e 17 horas e, ainda, grandes aglomerações, porque os vírus costumam se propagar com mais facilidade nesses locais.
 

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