Com pedidos em baixa, indústrias demitem 30 sapateiros por dia


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Funcionários de fábrica de calçado de Franca em frente à sede do Sindicato dos Sapateiros
Funcionários de fábrica de calçado de Franca em frente à sede do Sindicato dos Sapateiros
As demissões voltaram a assombrar as empresas do setor calçadista de Franca. De acordo com dados do Sindicato dos Sapateiros de Franca, em média, 30 rescisões têm sido homologadas por dia em sua sede. A escassez de pedidos, consequência da queda nas vendas, é apontada como a causa para as demissões do setor em Franca, que têm atingido até mesmo empresas de grande porte e tradicionais na cidade. 
 
Para o presidente dos Sindicatos dos Sapateiros, Fábio Cândido, a situação é preocupante, tendo em vista que a quantidade de demissões pode aumentar. “A situação realmente começa a preocupar sim. Tem dado uma média de 25 a 30 homologações de rescisões por dia no Sindicato. Isso no mês de julho preocupa, principalmente, porque nunca tinha acontecido de ter uma média de 30 rescisões em apenas um dia. Para piorar, eu acredito que na quinta e sexta-feira pode chegar a cerca de 50 funcionários demitidos por dia. Infelizmente, a tendência é aumentar”, disse o presidente.
 
Segundo o Sindicato dos Sapateiros, alguns funcionários foram demitidos diretamente da fábrica e outros acabaram perdendo o emprego em bancas de pesponto que prestavam serviços. Para tentar controlar a situação, algumas empresas optaram por conceder férias aos funcionários, mas outras tiveram de fechar as portas por conta da crise no setor.
 
“Empresas que nunca tiveram problemas com pedidos estão paradas. Existem casos também de empresas que tinham dado férias para o pessoal e agora começou a demitir funcionários de 15 e até 18 anos de casa”, exemplifica o Cândido. “As bancas de pesponto não estão tendo serviço. Recentemente, uma fechou com 30 funcionários e, sem dinheiro para acertar com o pessoal, acabou indo para a Justiça... No começo do ano não estava ruim, mas depois diminuíram as vendas e, consequentemente, os comerciantes pararam de fazer os pedidos”, completou.
 
Para o presidente do Sindicato dos Sapateiros, a Copa do Mundo no Brasil contribui para o cenário atual, mas a questão econômica tem um peso ainda maior nesta questão. “Acredito que, agora, o problema seja econômico. A inflação e os juros elevados diminuíram o poder de compra das pessoas. E a Copa também prejudicou, ninguém está vendendo nada durante o Mundial.”
 
O presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão, compartilha da mesma opinião e ainda cita a expectativa com as eleições deste ano como mais um fator prejudicial ao setor calçadista. “A questão é prioritariamente econômica, mas a Copa do Mundo também tem influenciado no desempenho do varejo, o que afeta diretamente os setores produtivos. Além disso, temos a expectativa quanto ao resultado das eleições de outubro, o que inibe novos investimentos por parte da indústria.”
 
Para Brigagão, as demissões e a atual situação na indústria calçadista de Franca são preocupantes, tendo em vista que o setor responde por 60% da economia da cidade e, consequentemente, uma grande parcela da população depende diretamente de sua performance. “Os números aqui apresentados são reflexos da conjuntura econômica nacional, o que influenciará diretamente no desempenho do setor ao longo do restante deste ano de 2014, com repercussões para 2015.”
 
Surpresa
O cortador Rodrigo Fraga está entre os trabalhadores de Franca que perderam o emprego no setor recentemente. Funcionário de uma grande fábrica de sapatos da cidade há dois anos e meio, ele conta que a demissão pegou todos de surpresa. “Não esperávamos isso. Em uma segunda-feira, eles chamaram a empresa inteira para uma palestra e dividiram em dois grupos. De manhã, a palestra aconteceu e, à tarde, chegamos para participar e fomos dispensados. Foi um susto, mas é a realidade.”

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