Ana Clara, a nuvem que não queria chover


| Tempo de leitura: 2 min
Ana Clara era uma nuvenzinha que detestava dias cinza de chuvas e dizia sempre: 
 
-Eu quando crescer não vou “chover”. 
 
Era de uma delicadeza única e inconfundível, às vezes parecia até ser um pouco rosa, gostava dos dias ensolarados.
 
Ana Clara achava  triste a água que caía, achava que chuva parecia o choro de alguém e imaginava que seria como derreter e isso não era legal. Via as pessoas esconderem-se dentro de suas casas em dias de chuva.
 
Gostava mesmo era de ser levada pelo vento para bem perto das crianças brincando. Não tinha vontade de chover, pois não queria molhar ninguém, nem mesmo a roupa estendida no varal. Ela achava linda a roupa da lavadeira que cantava esfregando os lençóis branquinhos ou as roupas coloridas do bebê. A nuvenzinha era gentil demais para querer fazer poças de lama, e ela tinha pavor de trovões e raios, achava que eles eram deselegantes e intrometidos.
 
Acontece que um dia fez muito calor, e as nuvens encheram-se de água que veio como um vapor de gotículas muito pequenas que não dava para ver. E depois de estarem cheias desta água dava assim uma vontade louca igual àquela vontade de fazer xixi que dá na gente. Conhece? Aí quando não dá mais para segurar o céu todo chove aliviado. Com a nuvenzinha não foi diferente.
 
Ela ficou cinza, roxa, inchada e pesada e então se derramou toda para a terra. No começo ela estava constrangida e chateada, mas depois achou legal demais virar gotas de água.
 
Estava em todos os lugares. Fazia festa com as flores do jardim, caía leve nas verduras da horta. Teve até gente feliz que saiu para dançar no quintal e ela molhou as mulheres e os cabelos soltos, encheu o dia com aquele cheirinho bom de terra e fez as pessoas dormirem gostoso ouvindo o som dos seus pinguinhos que batiam no chão. 
 
Ana Clara nem estava mais tão tensa e temerosa, agora ela caía livre e solta e enchia rios, lavava ruas, escorria mundo afora. No outro dia fez sol novamente e ela voltou para o céu, formou-se nuvem e nunca mais teve medo de chover. 
 
Milla Souza

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários